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Zona do Euro: devagar, quase parando

Nesta semana, dados divulgados sobre as economias na Zona do Euro não foram dos melhores. As bolsas recuaram e o euro voltou a se enfraquecer frente à moeda americana. Aliás, podemos dizer que a semana começou com temores de uma recessão, dando certa razão à mais recente tentativa do banco central europeu (ECB) de, via estímulos monetários, evitar um tropeço ainda maior. Neste artigo, aproveito para revisar os recém-divulgados números sobre a Zona do Euro. Quão perto estamos de uma recessão na região? Como tem sido o ritmo nos últimos meses? Aonde está concentrada a fraqueza econômica?

Na última segunda-feira (23), as preocupações dos investidores cresceram na Zona do Euro, diante da divulgação dos chamados “índices PMI” referentes ao mês de setembro. O ritmo econômico da região, medido pelo PMI, atingiu a mínima dos últimos 75 meses: foi de 51.9 pontos em agosto para 50.4 pontos em setembro. Registre-se: um índice PMI, acima de 50 pontos, aponta para uma “expansão” econômica nos próximos meses; abaixo de 50, aponta para uma “contração”. Tal indicador é de relativa “alta frequência” (divulgação mensal), e é obtido a partir de pesquisas com aproximadamente 5 mil empresas na região, permitindo que os bancos centrais, entre outros agentes de mercado, tomem melhores decisões. Variáveis incluindo “vendas”, “empregos”, “estoques” e “preços” são sempre monitoradas.

Além de monitorar o estado da economia como um todo, os números divulgados esta semana permitem que façamos uma separação entre o ritmo do setor industrial e o de serviços, por exemplo. A fraqueza, hoje, concentra-se no primeiro, embora ambos tenham desacelerado nos últimos meses. Registre-se: o PMI da indústria passou de 47.0 em agosto para 45.6 em setembro (a mínima dos últimos 83 meses); enquanto o PMI do setor de serviços passou de 53.5 para 52.0 (a mínima dos últimos 8 meses). Segundo o relatório que acompanha os dados, “A economia da Zona do Euro quase parou no final do terceiro trimestre, com a demanda por bens e serviços caindo à taxa mais rápida em seis anos”. À fraqueza do setor industrial, já considerado num estado recessivo, somou-se o medíocre desempenho do setor de serviços.

A situação demanda cuidado, mas não há saídas fáceis. O ECB (assim como outros bancos centrais ao redor do mundo) acaba de anunciar medidas de estímulo. E os dados divulgados nesta semana reforçam a necessidade destes e demais estímulos na região (incluindo os fiscais, nos países nos quais houver espaço para tal). À frente, tudo indica que o ECB continuará pressionado para que tome alguma medida — algo que a futura presidente da instituição, Christine Lagarde, herdará do atual presidente, Mario Draghi, já no final de outubro. O problema é que nem todos dentro do ECB defendem mais estímulos. Conseguirá Lagarde maior unanimidade dentro da instituição? Difícil.

O relatório do índice PMI foi claro em sua análise sobre a economia da Zona do Euro: “Os detalhes da pesquisa sugerem que os riscos estão inclinados em direção à contração da economia nos próximos meses”. Sem sinais de melhora do ritmo econômico (pelo contrário), a tarefa do ECB torna-se mais difícil, em meio a discussões internas acaloradas em relação às futuras ações. Neste contexto, a verdade é que temos visto ao menos desde o início de 2018 uma perda de fôlego das economias da região (com notável influência da Alemanha, afetada pela tensão comercial ao redor do mundo), e uma consequente queda do euro frente ao dólar. Este passou de aproximados 1.25 para 1.10, diga-se de passagem. No momento, é difícil vislumbrar uma reversão destas tendências. A Zona do Euro está devagar, quase parando.

Ignacio Crespo Ignacio Crespo

Economista

Mestre em Economia pela Fundação Getúlio Vargas (FGV/EPGE) e em Finanças pela Barcelona Graduate School of Economics (BGSE). Graduado em Ciências Econômicas pelo INSPER. Entre 2013 e 2018, atuou como economista da Guide Investimentos, cobrindo o mercado doméstico e os internacionais, e sendo um dos responsáveis do asset allocation dos clientes. Desde 2018, atua como consultor Guide Investimentos, cobrindo principais eventos do cenário internacional e escrevendo artigos semanais para o blog.

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