Whatsapp e a indústria de Fake News – Todo dia um 7×1

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Os 120 milhões de usuários ativos do Whatsapp no Brasil foram surpreendidos com uma restrição adicional colocada pelos gestores do app: desde o começo de janeiro de 2019, só é possível encaminhar um conteúdo (mensagem, áudio, foto, etc.) para até 5 destinatários, e não mais 20 como era permitido. Segundo a empresa, a iniciativa visa reduzir a propagação das chamadas fake news, que são notícias falsas e boatos espalhados pelo aplicativo que ganham popularidade na velocidade da luz. As fake news encontraram terreno fértil no Brasil, assim como no Facebook, embora em terras brasileiras o mais comum tenha sido a utilização do aplicativo de mensagens.

Na Índia, por exemplo, há mais de 200 milhões de usuários de Whatsapp, e as correntes e mensagens enganosas deixaram suas vítimas. Apenas em 2018, ocorreram 18 mortes violentas que podem estar relacionadas às fake news divulgadas por meio do aplicativo. No caso indiano, os boatos envolviam sequestros de crianças e casos de bruxaria, que provocaram linchamentos à luz do dia. O governo indiano já declarou que tem dificuldades de convencer a população a respeito das fake news e o cuidado na verificação da informação.

Nesse sentido, a restrição imposta no sentido de reduzir a quantidade de conteúdo encaminhado aos contatos no Whatsapp surge nesse contexto, embora sua eficácia futura seja mais que duvidosa. É difícil acreditar que o usuário da tecnologia – note que há concorrentes do Whatsapp espalhados por aí, como Telegram, Facebook Messenger, WeChat, entre outros – simplesmente deixe de ter certo comportamento devido à uma restrição criada pelo aplicativo. Ele pode migrar para outra ferramenta, ou simplesmente ultrapassar a dificuldade criada pelo gestor do aplicativo. Logo após a divulgação da limitação do encaminhamento de conteúdos no Whatsapp, não foi muito difícil encontrar estratégias para burlar o sistema, como a utilização das listas de transmissão, por exemplo.

O fato é que o cerne principal da questão é muito mais amplo do que a simples disponibilização de uma ferramenta de mensagens e sua utilização para propagação de fake news. Instituições têm sido questionadas quase que diariamente, como é o caso da imprensa tradicional, por exemplo. Muitas vezes essas instituições têm apostado mais numa autodefesa do que na aproximação com a sociedade e a própria percepção quanto ao seu trabalho. Por diversas vezes os meios alternativos de divulgação de notícias tem usado o termo ‘resistência’ como forma de definir o seu meio de atuação em um segmento altamente concentrado. As fake news são como vírus ou bactérias que se aproveitam de um paciente com baixa imunidade, e se espalham com facilidade em um meio que quase não reage.

Por isso, há bastante ceticismo quando vemos iniciativas de restrição como essa imposta pelo Whatsapp. Para travar um processo como esse, soluções inteligentes devem ser colocadas à mesa. O Facebook, dono do Whatsapp e do Instagram, comunicou que planeja integrar as ferramentas de mensagem dos três aplicativos até o começo de 2020. Com isso, pode obter mais informações do usuário que está do outro lado da tela no Whatsapp, tendo em vista que o Facebook e Instagram fornecem mais informações do usuário no momento do cadastro do que o Whatsapp. Mas, mesmo com toda essas iniciativas, é difícil acreditar que as fake news simplesmente desapareçam após uma ideia exitosa. Dessa forma, essa nova tentativa de restringir – agora para 5 destinatários – o encaminhamento de conteúdos prosseguirá a saga de enxugamento de gelo iniciado em meados de 2016. Haja pano.

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