A vida como ela é: um plano financeiro em prática

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A série de contos “A vida como ela é”, de Nelson Rodrigues, foi imortalizada e fez muito sucesso por abordar temas que eram, e ainda são, tabu na sociedade. Muitos não gostam de discuti-los, outros até fingem que eles não existem, mas de alguma forma, em maior ou menor grau, estão presentes na vida da grande maioria da população.

Não se preocupe, no entanto. Este artigo não tratará de adultério, desejo ou pecado. Falarei sobre aquilo que todos nós passamos quando vamos colocar na prática nossos planos financeiros, mas muitas vezes temos vergonha de assumir.

A mensagem é: você não está sozinho! Todos nós temos os mesmos questionamentos e conflitos ao longo de nossas vidas financeiras.

Devia ter começado antes

A primeira coisa que, normalmente, escuto dos clientes quando apresento um plano financeiro é: “Nossa! Se eu tivesse começado a poupar quando comecei a trabalhar estaria bem melhor hoje”. Sim! Sem dúvida, mas isso deve só motivá-lo a começar efetivamente desta vez, caso contrário você fará a mesma afirmação daqui a cinco ou dez anos. Não deixe para amanhã o que pode começar hoje!

Ainda falta muito para chegar aonde quero

Ok! Você começou a poupar e depois de seis meses revisita seu plano e vê como está seu progresso. Você verifica seus extratos e percebe que possui “apenas” R$ 21.200,00, mas seu objetivo final é juntar o primeiro milhão em 15 anos. O objetivo parece tão distante, mas o caminho é este mesmo. Você está no caminho certo. O que te separa de seu objetivo é a sua disciplina de continuar poupando religiosamente e não sucumbir a tentação de utilizar o dinheiro para outro propósito de curto prazo que não seja aquele traçado inicialmente. Uma dica: não tente “correr atrás do prejuízo” buscando rentabilidades exorbitantes com oportunidades milagrosas.

Mas rendeu tão pouco

Você faz as contas, vê que poupou R$ 20.900,00 aos longos de seis meses e esse dinheiro “só” rendeu R$ 200,00 em seis meses. É isso mesmo. Você só verá o maravilhoso efeito dos juros compostos quando seu patrimônio estiver maior, depois de alguns anos de poupança. Durante muito tempo, o quanto você poupa por mês terá um impacto muito maior no valor final de seu patrimônio do que a rentabilidade de seus investimentos.

Não me comportei em alguns meses

É humanamente impossível ou praticamente impossível achar que você conseguirá poupar todo mês aquilo que se propôs a fazer somente baseado em sua força de vontade. A vida acontece no meio do caminho e, eventualmente, você ficará aquém do planejado. O importante aqui é saber diferenciar uma escapada no meio do caminho de uma volta aos velhos (maus) hábitos. Se você notar que as “escapadas” estão cada vez mais constantes pense em soluções que não dependam de sua força de vontade, como o débito em conta, por exemplo.

Estes são alguns dos pontos que aparecem em nosso dia a dia, mas existem diversos outros que podem aparecer. Não é a toa que o campo das Finanças Comportamentais ganha cada vez mais espaço na academia e no mundo dos investimentos. Afinal de contas, somos todos humanos.

Ivens Gasparotto Filho Ivens Gasparotto Filho

Diretor Técnico

Atua há mais de 10 anos no mercado financeiro, trabalhando diretamente com investidores pessoa física e planejamento financeiro pessoal. É CFA charterholder, profissional certificado pelo CFA Institute, possui também a certificação de gestores CGA, da Anbima. Estudou Gestão de Portfólios de Ativos na London Business School, é pós-graduado em Finanças pela FGV e formado em Administração pela Universidade de Brasília.

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