Venezuela: uma tragédia econômica, política e humanitária

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Nosso vizinho sul-americano, a Venezuela, que detém a maior reserva de petróleo do mundo (297 bilhões de barris) entrou em total colapso. A economia está em frangalhos, com queda acentuada do PIB desde 2014, em uma recessão que em poucas vezes foi vista na história recente. O governo totalitário de Nicolás Maduro reprime manifestações, ao mesmo tempo que manda e desmanda nas instituições cada vez mais enfraquecidas pelo poder central. A população, por sua vez, não vê outra saída senão abandonar suas posses e sonhos em território venezuelano, apostando suas fichas em um recomeço em outro país, como Peru, Colômbia e o Brasil.

Pelo lado econômico, a produção nacional vem declinando ano após ano desde 2014, conforme mostra o gráfico abaixo:

Se confirmado, a expectativa de contração de 18% para 2018, a economia venezuelana acumulará uma queda de 47% desde 2013, ou seja, será praticamente a metade do que já foi naquele ano. O aumento dos preços, por outro lado, vem em movimento ascendente, com todas as características de hiperinflação. O FMI projetou que a taxa de inflação pode chegar* a 1.000.000% em 2018. A situação, segundo o órgão internacional, já pode ser comparada às experiências históricas do Zimbábue na década passada e da Alemanha em 1923. A taxa de desemprego (33%) e a taxa de juros de 10 anos da dívida – considerada impagável pelas agências de rating – é de 38,4% ao ano, completando o quadro desolador.

No campo político, a situação não é nada animadora. Nicolás Maduro, que chegou ao poder logo após a morte de Hugo Chávez, faz de tudo para se manter na presidência. Ao mesmo tempo que reprime duramente manifestações – mais de 100 pessoas foram mortas** em manifestações contra o governo em 2017, Maduro se perpetua no poder por meio de eleições fraudadas e com o apoio maciço dos militares e de parcela da sociedade. O discurso é sempre o mesmo: a guerra econômica e política faz parte de um plano maior para tirá-lo do poder.

E é aí que entra o elo mais fraco de toda essa história: o povo venezuelano. Estimada em 32 milhões de habitantes, a população sofre com falta de alimentos básicos, com a hiperinflação que corrói rapidamente o salário do mês, e com ataques perpetrados pelo próprio estado, com o auxílio de milícias paramilitares, que espalham o medo nas maiores cidades do país. Para piorar, quase 70% das crianças venezuelanas de até cinco anos estão desnutridas, segundo relatório da CIDH. O resultado não poderia ser outro, se não a fuga de muitas pessoas para países vizinhos, como o Brasil. Sem o preparo suficiente para absorver esse contingente de refugiados, a situação no estado de Roraima é de caos e desolamento.

Eis a tragédia econômica, política e social da Venezuela: um dos países que, devido a ilusão de que sua herança geológica de imensos campos de petróleo seria suficiente para custear qualquer sonho, hoje faz da vida de quem habita o país um verdadeiro pesadelo do qual o maior desejo é que se acorde logo.

 

*Os valores indicados aqui não são oficiais, pois os órgãos de governo venezuelano não vêm divulgando esses índices periodicamente, e, quando divulgam, são pouco confiáveis. O Banco Central deixou de publicar informações sobre os resultados da economia em fevereiro de 2016.

**Em 2016, a taxa de homicídios foi de 91,8 a cada 100 mil habitantes, com a segunda pior colocação considerando todos os países (na frente apenas de El Salvador). O Brasil, com os mais de 60 mil mortos em situação violenta, tem índice de 29,9.

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