Venezuela: impasses políticos e disfunções econômicas

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Os fatos do colapso venezuelano já são conhecidos. Num desdobramento recente, Juan Guaidó convocou o povo às ruas com o objetivo de derrubar o regime de Maduro. Porém, a empreitada do reconhecido presidente interino não obteve sucesso. Por hora, Maduro permanece no poder.

Todavia, a situação do país sul-americano se torna ainda mais complicada quando consideramos certos impasses. Segundo a consultoria de risco político Eurásia, três grupos criminosos têm relevante atuação no cenário doméstico venezuelano: os colectivos, verdadeiras gangues que auxiliam o governo na repressão de dissidentes, principalmente na cidade de Caracas. O crime organizado regional, que controla atividades ilegais de mineração e tráfico de drogas em conluio com oficiais do governo. E, por último, os rebeldes colombianos do Exército de Libertação Nacional, grupo paramilitar ligado ao narcotráfico, histórico aliado chavista e responsável inúmeros atentados no país. Em suma, esse é um ponto que certamente precisaria ser abordado numa eventual queda de Nicolás Maduro.

Além disso, no cenário externo, três países em específico acompanharam atentamente os ocorridos. Cuba, que tem na Venezuela uma das suas principais fontes de petróleo. Rússia e China, grandes credores da economia venezuelana. Moscou busca resguardar bilhões de dólares em empréstimos e contratos. Enquanto isso, para Pequim, estima-se que o pagamento um terço dos empréstimos concedidos está pendente por partes dos sul-americanos. Cerca de 40% dos empréstimos chineses para a América Latina nos últimos 10 anos tiveram como destino a Venezuela. É seguro dizer que esses (e outros) atores geopolíticos têm muito a perder com o futuro do regime de Maduro.

As disfunções econômicas, por sua vez, já são costumeiras onde há o velho populismo latino-americano. A água potável, por exemplo, tem preços baixíssimos, pois é subsidiada pelo governo. Contudo, a infraestrutura que leva a água às cidades soma décadas de investimentos insuficientes. Assim, a escassez do produto dá espaço a um mercado negro de… água.

A falta de comida, mais um desafio humanitário no país, é explorada pelos contrabandistas de gado. Os animais são levados ilegalmente ao território colombiano, onde são abatidos e a sua carne vendida de volta na própria Venezuela, por preços que chegam ao triplo do habitual. Os combustíveis, cujos preços baixos se devem a um misto de abundância petrolífera e subsídios governamentais, também não escapam dos contrabandistas. Estima-se que cerca de 18 bilhões de bolívares em combustíveis sejam contrabandeados anualmente.

A crise venezuelana é de proporções impressionantes. Mesmo sem envolvimento em guerras, a sua situação econômica só é pior quando comparada à Síria, em termos de contração do PIB. Independente do seu desfecho e eventual processo recuperação, o caso é uma lição sobre os desastres da repressão política e da má gestão econômica. Um exemplo digno dos livros de história.

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