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Uma selva chamada Black Friday

A Black Friday ou Black November, como já sabemos, tem conquistado cada vez mais o consumidor brasileiro. É um período cheio de ofertas em que se torna comum uma combinação geralmente rara, que é a de comprar bons produtos a preços baixos.

No entanto, essa espécie de dádiva propiciada por esse período de compras deve ser analisada – de preferência com muita racionalidade – pelo consumidor. Por melhores que sejam as ofertas, a utilização do lado racional na hora de comprar é sempre (altamente) aconselhável. Caso contrário, se o instinto primitivo do comprar apenas por comprar prevalecer, é possível contrair grandes dívidas, e por compras absolutamente dispensáveis.

É nesse ponto que mora o perigo, pois a Black Friday foi projetada justamente para ser como uma espécie de grande selva, cuja principal lei é a de comprar primeiro para depois pensar na maneira de pagar. A maioria das coisas que fazem parte dessa selva servem como gatilhos, relacionados entre si, e que tem como finalidade despertar o lado mais irracional do consumidor.

Entre os gatilhos típicos de uma Black Friday, estão as promoções relâmpago. Essas promoções não dão tempo para que a pessoa possa pensar melhor sobre a real utilidade do produto que está em promoção, despertando apenas o famoso (e altamente perigoso) “Tenho que ir correndo comprar! ”.

Dentro dessa corrida para as compras, está outro detalhe muito comum e muitas vezes negligenciado: a questão do cansaço. Como os preços da Black Friday costumam ser muito bons, isso atrai milhares – e talvez milhões – de consumidores no estado mais puro da irracionalidade, ávidos para comprar e dispostos inclusive a lutar (no sentido literal do termo) por produtos com preços baixos. Cansados e muitas vezes com fome em função de toda a espera e à correria, os consumidores acabam se levando pelo instinto, comprando produtos exclusivamente devido a um suposto preço baixo, mas esquecendo-se de avaliar a real autenticidade do preço e a utilidade do produto a ser comprado.

A procura por bons preços é extremamente importante. Porém, a grande questão está em analisar se o tal suposto bom preço encontrado é realmente tão vantajoso, ou se é apenas a metade do dobro. O Brasil, que historicamente constituiu-se como uma nação pouco afeita ao ensino da matemática financeira, tem 45% da sua população sem controle do próprio orçamento. Assim, por falta de conhecimento, muitos consumidores são iludidos por supostas promoções imperdíveis, mais fantasiosas que o Papai Noel e bastante presentes no período de Black Friday.

Mesmo tendo total certeza da autenticidade de determinada promoção, deve-se ter bem claro o porquê de comprar tal coisa. Se de “grão em grão a galinha enche o papo”, é de preço bom em preço bom que se torna possível criar uma gigantesca dívida desnecessária. Aqui está embutida a questão da marginalidade, ou parte da Loss Aversion abordada no âmbito da Economia Comportamental. Depois de já ter gastado muito, a maior parte das pessoas tende a negligenciar novos gastos marginais. Afinal, para quem já está devendo mais de R$1.000,00 em compras supérfluas, por que não comprar alguns itens extras de R$1,99? Esse é mais um tipo de comportamento muito aflorado dentro dessa selva chamada Black Friday.

Apesar de todos esses potenciais “perigos”, não devemos de maneira alguma evitar de comprar na Black Friday. Muito pelo contrário, o que deve ser frisado é a adoção de certos cuidados, indispensáveis em qualquer tipo de expedição rumo à selva. Começa por ir descansado e depois de um bom lanche, seguindo pela avaliação cuidadosa da autenticidade da promoção, sem perder de vista à real necessidade do item que deve ser comprado. No caso de já ter caído em alguma armadilha exagerando nas compras, não negligencie de forma alguma novos gastos, por menores que sejam. A grande questão está em ser racional, nessa selva projetada para aflorar a nossa irracionalidade.

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