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Uma década perdida e outra de oportunidades?

A década de 2010 começou com o país no centro das atenções mundiais, onde, esperançosos, investidores locais e internacionais viam o Brasil no limiar de um ciclo virtuoso e duradouro. No entanto, o que seria bonança e alegria, transformou-se em desalente e tristeza. Por que tal fracasso? Que lições extrair da década que passa?

De maneira mais geral, ficou mais uma vez transparente que a distinção entre capitalismo liberal e de estado é falaciosa, meramente política/ideológica. No final das contas, o que prevalece é a economia de mercado: ou em sua encarnação mal regulada, onde as transações ocorrem de maneira obscura e mediando escambo de favores; ou em sua face bem regulada, onde as transações se dão à luz do dia sob o escrutínio do contribuinte. Dada essa realidade, a melhor coisa é conviver com o inevitável da melhor maneira possível.

Portanto, a primeira lição: economia de mercado, transparência e boa regulação – condições necessárias ao crescimento duradouro.

Em um escopo mais restrito, está claro que o modelo de crescimento brasileiro, bem-sucedido até o final da década de 1970, não tem sobrevida, tal como sonhado até antes recessão de 2014. O referido modelo, baseado em uma forte presença do estado na economia, foi bem-sucedido enquanto prevalecia uma realidade demográfica propícia, onde a população era jovem e o país passava por um processo de urbanização/industrialização.  Com isso, devido à baixa razão de dependência (isto é, poucos não-trabalhadores vis à vis a força de trabalho), a pressão fiscal inerente ao contrato social permanecia contida, enquanto a simples transferência dos trabalhadores do setor agrícola para a indústria detonava ganhos de produtividade da mão-de-obra, sem que houvesse grandes investimentos em educação.

Não por acaso, desde que as referidas condições demográficas se esvaneceram, juntamente ao aparecimento de uma constituição extremamente benevolente, fez-se necessário pelo menos uma grande reforma da previdência por década desde dos anos 90.  Com isso, pretendeu-se garantir a sustentabilidade fiscal do estado e recobrar, mesmo que minimamente, a poupança do setor público. De fato, muito provavelmente uma nova reforma nos espera na década entrante.

Portanto, uma segunda lição: Estado menos benevolente, focado em elevar a produtividade através da oferta mais eficientes de serviços nas áreas de saúde e educação.

De fato, é possível extrair várias outras lições, mas já há insumos suficientes para extrair um padrão. Caso o país queira realmente fazer valer seu potencial, é fundamental uma reforma do estado a partir de uma mudança da percepção do que ele de fato pode fazer pelos seus cidadãos. O momento para isso é favorável, uma vez que o próprio eleitor médio pede por isso. No entanto, para que esse ciclo ganhe longevidade, é necessário que a economia ganhe tração o quanto antes a fim de garantir o apoio da sociedade a essa agenda. Além disso, há de se ter em mente que não há bala de prata, muito menos atalhos e que, portanto, consistência e perseverança são fundamentais para que a década de 2020 prove o contrário àqueles que no passado se mostraram excessivamente otimista e hoje que pecam pelo excesso de pessimismo.

João Maurício Rosal João Maurício Rosal

Economista-chefe Guide Investimentos

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