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Um conto Judaico: não julgue pelas aparências

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Um pequeno conto judaico pode nos ensinar lições importantes para a vida

Em uma cidadezinha na Polônia existia uma Sinagoga, no começo do século XX. Seus frequentadores – muitos com idade já avançada – ganhavam um copo de chá bem quente ao terminar as rezas. Um fato intrigava a todos: o Sr. Faiwush, que era o ‘zelador’ do local, e participava das rezas e da organização dos eventos, entregava a cada participante o copo de chá, mas com o líquido sempre pela metade antes de se despedir de todos para mais um dia de trabalho. Embora misterioso, o método não era questionado pelos presentes.

Até que, em um certo dia, o Sr. Faiwush ficou doente e não pôde comparecer a reza matinal. Assim, deitado em sua cama, falou para seu filho:

– Não consigo ir até o shil hoje – disse ele e prosseguiu – você deve se apresentar a todos como meu filho e me prometer apenas uma coisa: ao final da reza da manhã, você deve entregar um copo de chá para cada dos presentes, mas com o líquido pela metade! Nem mais nem menos!

O filho não entendeu essa ordem tão específica de seu pai, mas não o questionou. Simplesmente disse:

– Mas é claro. Fique tranquilo. – e foi dormir.

Na manhã seguinte, já com seu filho ausente, o Sr. Faiwush parecia inquieto na cama. E se seu filho esquece de seu pedido? Afinal, ele andava com a cabeça na lua. Temendo o pior, ele calçou seus sapatos e foi até a Sinagoga, que era próxima à sua casa. Sentia bastante frio na rua, um pouco pelo desequilíbrio do calor corporal devido à gripe que o acometia, mas também pelo vento congelante, resultado de um inverno rigoroso naquela parte da Europa.

Chegando lá, viu seu filho liderando a reza matinal, o que lhe deu tremendo orgulho. Mas foi avistado em seguida, e foi questionado:

– Pai, por que veio até aqui? A reza já está terminando e iria cumprir à risca o que você me pediu!

Um pouco envergonhado, o Sr. Faiwush respondeu:

– Me desculpe, meu filho. Fiquei preocupado que você se esqueceria da minha solicitação à você. São tantas coisas que pensei que não daria importância para o que eu te pedi.

– Pai, – disse o filho já um pouco impaciente –  você pode me explicar qual motivo do seu pedido tão misterioso?

Um pouco relutante, o Sr Faiwush disse:

– Aqui na Sinagoga há pessoas bem idosas, que se sentem bem e participam das rezas e festividades. Devido o avançar da idade, alguns deles têm pouca firmeza nas mãos, ou aquela doença temida que nos faz tremer, que não gostaria de falar sobre. Por isso, todos os dias, eu encho o copo com o chá pela metade, e ninguém vê o outro derramar o líquido para fora do copo sem intenção. A comunidade sequer sabe quem tem essa dificuldade, e quem não tem e por uma razão bem simples: não quero que ninguém julgue o outro pela sua aparência ou por suas dificuldades de saúde.

Emocionado, o filho sentiu muito orgulho do pai. E assim, os dois saíram no frio congelante de outono, naquela pacata cidade polonesa.

O Sr. Faiwush é um mensch, um termo do yiddish que significa “pessoa com integridade e honra”. Outras traduções apontam para o termo “justo” e “boa pessoa”. Sequer percebemos quantos mensch passam pela nossa vida.

No ambiente de trabalho, por exemplo, em que a competição muitas vezes aflora entre os funcionários, sempre existe aquela pessoa que percorre o caminho mais longo, sem expor os outros e sempre usa ao seu favor a melhor qualidade de cada um. Há aqueles que preferem o caminho mais curto, e sequer percebem as ações dos mensch entre nós. Assim como os frequentadores da sinagoga, que sequer sabiam das dificuldades de seus colegas de reza, podemos utilizar essa história para melhorarmos nos nossos próprios atos como pessoas e agentes de mudança. Sejam todos mensch!

 

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