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Uber: IPO, unicórnios e carros autônomos

O dia 10 de maio de 2019 marcou o IPO da Uber, empresa que revolucionou o transporte urbano através de um mero aplicativo. Num processo conduzido pelo banco de investimentos Morgan Stanley, as ações da empresa passaram a ser vendidas na Bolsa de Valores de Nova Iorque. Contudo, as coisas não aconteceram conforme o esperado.

A mídia financeira apontou a oferta como uma imensa decepção. “Nada a se comemorar”, diz a manchete do Business Insider. Já no Financial Times, “os problemas são oriundos da falta de inovação”. “Não tinha como ganhar”, lê-se no portal da Bloomberg. “A promessa de 120 bilhões evaporou”, conta o New York Times.

Alguns números

Os papéis da Uber, cuja precificação inicial foi de US$ 45, chegaram à casa de US$ 36 nos dias seguintes. Embora o seu valor de mercado tenha sido avaliado em US$ 120 bilhões num passado recente, o valor foi revisto para cerca de US$ 75 bilhões para a oferta que, por sua vez, angariou pouco mais de US$ 8 bilhões para a empresa. Para além da repercussão da mídia financeira e de análises conjunturais, o que há de fator estrutural nessa história toda?

Primeiro, os lucros (ou a falta deles). A empresa destina parte considerável de seus recursos financeiros ao subsídio de corridas. Estima-se que em 2018 cada uma gerou, em média, um prejuízo de US$0,58. Faz parte da estratégia de competição, assim, atrai mais motoristas e clientes em relação à concorrentes como Lyft, nos Estados Unidos, e 99, cá em terras tupiniquins. Não que isso seja incomum, basta ver o notório caso da Amazon. Todavia, a empresa de Jeff Bezos cresceu exponencialmente e hoje é um monopólio no e-commerce. Já a Uber não indica que alcançará dominância análoga entre os aplicativos de transporte. Há de se separar unicórnio de realidade.

Segundo, mão de obra. Trabalhar para a Uber é uma opção de renda complementar ou, principalmente em tempos de crise econômica, até mesmo a principal fonte de sustento de famílias. No Brasil, estima-se que cerca de 3,8 milhões de trabalhadores autônomos chegam aos seus clientes através de plataformas digitais. Muitas vezes motoristas fazem reivindicações e governos estabelecem novas regulações. Isso também afeta o balanço da empresa. Uma saída possível para essa questão está nos carros autônomos, porém não se trata de algo simples.

Os carros autônomos são aqueles que podem, inclusive, se deslocar sem interferência humana. Esse tipo de veículo pode ser categorizado segundo cinco níveis. No nível 1, o carro presta assistência ao motorista, freando automaticamente para evitar que ele encoste no carro da frente ao estacionar, por exemplo. No nível 2 a automação é parcial, logo, o carro pode assumir certas tarefas de manobra ou aceleração por conta própria. Os níveis 3, 4 e 5 apresentam as verdadeiras barreiras à tecnologia atual. Progressivamente, é necessário que o carro monitore o ambiente através de sensores, notifique o motorista caso esteja seguro para dirigir sozinho e, por último, assuma o controle por completo, sem nenhuma interação humana.

A complexidade do processamento nos dois últimos níveis, em particular, é exorbitante. Clima, outros veículos, pedestres, planejamento urbano e condições da pista fazem parte da equação. Imaginar um carro autônomo, no Brasil, lidando com as ruas nada impecáveis de uma cidade do interior de São Paulo é curioso, para dizer o mínimo. Ainda assim, unicórnios já foram criaturas místicas e hoje são startups avaliadas em US$1 bilhão ou mais. Qual o custo de oportunidade de sonhar? O IPO da Uber significou um sonho decepcionante. Agora, despertam incógnitas. Aguardemos.

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