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Trump e Bolsonaro: Um Romance Produtivo

No gramado sul da Casa Branca, frente um amontoado de microfones, o presidente americano, que tem como marca registrada críticas cortantes, proclamava seu amor ao líder do Executivo brasileiro. Enquanto Bolsonaro era banhado por uma enxurrada de críticas pela mídia brasileira, devido uma série sem fim de declarações importunas, Trump manifestava seu afeto pelo par sul-americano. “O meu relacionamento com o seu presidente é fantástico. Eles o chamam de Trump do Brasil. Eu gosto disso! ” Disse o presidente estadunidense em reposta à repórter brasileiro.

O sentimento é mutuo, talvez até mais forte do lado brasileiro. Jair Bolsonaro celebrou a sua vitória eleitoral como uma criança doente que tem seu sonho realizado pela fundação Make-A-Wish, ligando para o seu herói e modelo político, Donald John Trump.  Desde então, o romance só tem florescido.

Seguindo os passos do seu ídolo de cabelo bagunçado, Bolsonaro ensaiou reconhecer Jerusalém, terra sagrada disputada por todas as três religiões abraâmicas, como a capital de Israel. O presidente brasileiro acabou desistindo do aceno, priorizando relações comerciais com países árabes, independentemente disso, a tentativa evidenciou que Bolsonaro pretende alinhar a atuação do Brasil com a do Estados Unidos.

Alguns meses depois, no dia 19 de março, Bolsonaro embarcou em viagem para visitar Donald Trump na Casa Branca. Durante o encontro, os valores e inimigos compartilhados foram confirmados. Os líderes discutiram bases militares, vistos, Venezuela, fake news e o liberalismo econômico, entre outras pautas conservadoras.

Bolsonaro declarou que sempre admirou os Estados Unidos, mas o admira ainda mais depois da chegada “de vossa excelência na presidência”, o presidente ainda declarou que acredita “piamente” na reeleição do republicano, um faux pas da política internacional. Trump, por sua vez, declarou que o Brasil e os Estados Unidos nunca estiveram tão próximos e apontou o bom relacionamento entre os dois presidentes como o motivo da aproximação.

Após as declarações feitas à imprensa, os dois se retiraram para o Escritório Oval, Eduardo, filho do presidente que representa o estado de São Paulo na Câmara dos Deputados estava presente, o ministro das Relações Exteriores não. Houve uma troca de uniformes futebolísticos, muitos flashes e sorrisos contidos, o namoro à longa distância tinha valido a pena, o santo bateu.

A próxima reunião do casal, ocorreu durante o G20, reunião de líderes das vinte maiores economias do mundo. Eduardo Bolsonaro viajou junto com o pai, o trio tirou várias fotos juntos, uma delas com Eduardo entre os chefes de estado, enquanto os dois apontavam para o deputado, prenunciando a eventual nomeação do terceiro filho do presidente para embaixada de Washington.

Muitos, tanto aqui quanto lá, desenham umas linhas paralelas entre os dois chefes de estado. Estas análises comparativas quase sempre são superficiais e simplistas. Trump é marinheiro de primeira viagem no mar político, Bolsonaro passou mais de vinte e cinco anos na Câmara como representante do estado do Rio de Janeiro. O presidente Brasileiro sempre representou o conservadorismo. Donald, por outro lado, abraçou a ideologia para se eleger presidente.  Trump era celebridade nova-iorquina, marcando presença nas festas mais badalas da cidade na década de oitenta, até se interessar no pleito presidencial, nunca defendeu esses valores.

O presidente americano não é ideólogo, mas sempre pregou o gospel da iniciativa privada e do livre mercado quando tocava grandes obras no ramo imobiliário. Bolsonaro se apegou ao liberalismo recentemente, inclusive votando contra o Plano Real e apoiando agendas estadista de desenvolvimento. Segundo o próprio presidente, a aproximação ao liberalismo é recente e aconteceu em grande parte pelo convencimento dos filhos e do ministro Paulo Guedes. O liberalismo é requisito obrigatório dentro do antipetismo, movimento que garantiu o êxito da candidatura do PSL no segundo turno.

Com isso dito, existem similaridades entre os dois chefes de estado. Principalmente em relação ao temperamento. Ambos são propícios a fazerem declarações desapropriadas quando se sentem acuados, fato que frustra a classe política e a mídia tradicional, mas agrada suas as respectivas bases eleitorais que estão saturadas com o politicamente correto e cansados das palavras medidas de Washington e Brasília.

Para o Brasil, de um ponto de vista pragmático, a relação pode trazer grandes benéficos. O presidente americano tem demonstrado mais aptidão para derrubar barreiras comercias do que qualquer um dos líderes americanos que o antecederam. Segundo o ministro Paulo Guedes, conversas em torno do tratado, revelado por Trump no gramado da Casa Branca, já iniciaram.

Muito se fala sobre a nomeação do Eduardo à embaixada de Washington, considerada por muitos um ato de nepotismo. Se enquadrando ou não na definição, o fato que o bom relacionamento entre os presidentes se estende ao filho, não deve ser ignorado. Apesar de não ser o candidato mais preparado ou competente para ocupar a vaga, Eduardo teria mais acesso ao presidente americano do que qualquer diplomata de carreira do Itamaraty. Para o Brasil, seria um ótimo desenvolvimento, uma linha direta entre o Palácio da Alvorada e a Casa Branca, principalmente se Donald Trump for reeleito.

Conrado Magalhães Conrado Magalhães

Analista Político

Formado em ciências políticas pela universidade Marymount Manhattan College (NY-EUA), com pós-graduação em administração pelo Insper. Possui cinco anos de experiência no ramo de consultoria política como analista da Arko Advice e agora é o analista político da Guide Investimentos.

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