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Trump atirou em Soleimani, mas mirou algo maior

2020 começou e junto com esse novo ano entrou em cena uma nova escalada nas tensões entre Estados Unidos e Irã. Isso por si só não é uma grande novidade, dado que a relação entre esses dois países, especialmente nos últimos anos, é permeada por graves crises políticas. Mas agora o capítulo é outro: o contexto ganhou contornos mais complexos, juntamente com “novos” personagens e novos eventos, fatores que, se somados, podem tornar espúrias quaisquer avaliações feitas a priori.

Como é sabido por grande parte da população mundial, a atual crise entre EUA e Irã ocorre devido a morte do general iraniano Qasem Soleimani. A morte de Soleimani aconteceu em um ataque aéreo norte americano no Aeroporto de Bagdá, realizado no dia 3 de janeiro de 2020. Após o episódio, o governo iraniano prometeu revidar, enquanto o restante do mundo ficou perplexo tendo que refletir sobre a possibilidade de um novo conflito a nível global.

Mas qual seria a verdadeira importância desse “novo” personagem chamado Soleimani, indivíduo que até o ano passado era um anônimo para o mundo Ocidental, mas cuja morte poderia ser o estopim de um novo conflito bélico internacional? Em relação a isso, é possível notar que mais do que um exímio comandante militar, com experiência em operações desde a Guerra Fria, Soleimani detinha no Irã quase que a mesma importância política do Aiatolá Ali Khamenei. Isso fazia o general iraniano ser não apenas um alvo militar, mas também político.

Desse modo, a morte desse personagem certamente traria enormes repercussões. Ainda mais quando consideramos o cenário atual do Irã, que desde a Revolução Mulçumana, talvez esteja vivendo o período de maior instabilidade em seu regime. É que desde o ano passado, milhares de iranianos protestam contra o regime do país, reivindicando por uma mudança na estrutura político-econômica, que implicaria, assim, em uma maior abertura econômica do país e pela garantia de maiores liberdades individuais. Antes mesmo da morte de Soleimani, já estavam ocorrendo protestos severamente reprimidos pela Guarda Revolucionária Iraniana.

A morte de Soleimani, aparentemente, parecia ser o elo que iria unir o povo iraniano contra o “grande inimigo” norte americano, algo que poderia ser facilmente interpretado pelo tamanho do cortejo fúnebre de Soleimani. Não obstante a isso, o contexto tornou-se mais complexo do que aparentava, com os manifestantes iranianos retornando às ruas com as suas próprias reivindicações, que agora incluem, cada vez mais, o pedido pela renúncia do Aiatolá. Embora com o pano de fundo da derrubada absurda de um avião ucraniano, as reivindicações dos manifestantes são mais amplas.

Então, teria sido a morte de Soleimani apenas um movimento estratégico visando algo muito maior? Isso é algo difícil de responder – ainda mais quando não se faz parte da inteligência militar norte americana -, mas o certo é que os EUA conheciam muito bem o seu alvo. Trump pode ser tudo, menos leigo em questões estratégicas.

A grande questão talvez esteja no direcionamento dos efeitos da morte de Soleimani. Será que irá unir o povo iraniano contra os EUA, ou talvez irá unir ainda mais o povo iraniano contra o regime do Aiatolá? Sobre essas novas questões, apenas o futuro poderá responder. Porém, do que se pode observar até então, fica cada vez mais aparente a impressão de que os EUA mataram Soleimani, mas miraram em Ali Khamenei.

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