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Três amigos: Trump, Bolsonaro e Johnson

O referendo do Brexit marcou, ao menos no ocidente, um ponto de inflexão na política. A decisão do Reino Unido em sair da União Europeia precedeu a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos e a de Jair Bolsonaro no Brasil. Agora, Boris Johnson assume o posto de primeiro-ministro britânico e o ciclo se completa. Por que esses líderes políticos se assemelham tanto?

Em termos de personalidade, pode-se afirmar que são igualmente carismáticos e controversos. As sociedades ocidentais se engajam com a política de formas distintas. Graças à superexposição midiática, esse tema (e tantos outros) se tornou uma forma de entretenimento. Em geral, alguém que “não tem medo de dizer o que pensa” faz sucesso. Basta assistir aos noticiários, cada vez mais em formato de debate. Alguns deles até mesmo inspirados em programas esportivos.

O modelo de negócio da mídia exige engajamento (positivo ou negativo), aí entra a função da controvérsia que esses políticos criam. Bolsonaro, por exemplo, obteve superexposição na mídia, mesmo com um tempo de propaganda eleitoral mínimo. Trump, admitem alguns, foi a melhor coisa que poderia ter acontecido para a indústria de notícias.

É claro que esse tipo de inflexão não se deve exclusivamente à personalidade de um político ou ao modelo de negócio de uma indústria específica. Houve também mudanças estruturais na economia mundial.

A classe média, por exemplo, pouco progrediu em termos salariais nos Estados Unidos. No Brasil, um contexto ligeiramente diferente: a maior crise econômica da história nacional. Ao longo das últimas décadas, a globalização e a automação industrial causaram um rearranjo nas cadeias globais de valor. Isso se reflete, também, nos empregos tradicionalmente ocupados pela classe média nesses países.

Os desalentos econômicos encontram conforto em promessas políticas certeiras: empregos, bons salários e um retorno aos melhores dias. Donald Trump, Jair Bolsonaro e Boris Johnson apresentam, grosso modo, esse tipo de discurso. Ainda que muitos tentem aplicar rótulos e denunciar catástrofes exageradas, é preciso dizer que há algum alinhamento ideológico entre esses líderes.

Dito isso, algumas reflexões são pertinentes: o político, enquanto indivíduo, é produto da sociedade na qual está inserido? Considerando os aspectos econômicos de caráter estrutural, o que não foi endereçado ao longo do tempo? Afinal, políticos vão e voltam, mas o que permanece?

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