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Todos contra Haddad: O debate da Record

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Ontem aconteceu o penúltimo debate antes do primeiro turno das eleições presidenciais. Em termos de conteúdo, foi igual aos demais, inclusive no fato de que Bolsonaro também não participou. Ninguém apresentou novas ideias. Ninguém apresentou nada novo às vésperas da eleição. O destaque foi a pancadaria concentrada no candidato do PT, Fernando Haddad.

Ao longo de quatro blocos, os oito candidatos comentaram sobre os principais temas de interesse dos eleitores que irão às urnas daqui a uma semana — no domingo, dia 7 de outubro. Questionamentos sobre desemprego, combate à corrupção, educação, saúde, segurança pública e investimentos foram os mais recorrentes.

Todos os candidatos mantiveram, em média, as mesmas atuações do debate anterior e de sabatinas individuais: respostas parecidas e as mesmas evasivas quando perguntados de temas espinhosos. Nenhuma novidade nesse campo. Os identificados como mais liberais tentaram se desvincular de medidas do governo Temer que foram apoiadas por seus partidos.

Logo no primeiro bloco, os presidenciáveis evitaram ataques entre si e abordaram principalmente o congelamento dos gastos públicos para saúde e educação, os extremismos presentes na eleição e a necessidade de uma reforma política.

Mas logo depois partiram para o ataque simples e puro. Uma troca de insultos e insinuações sobre a conduta e história pregressa de cada um dos candidatos.

Esse debate foi mais um show de mesquinhez do debate político nacional. Parece um disco arranhado, que aliás dominou o debate inteiro, de sempre criar um clima de nós contra eles. A esquerda contra a direita, os apoiadores de Lula e os não apoiadores. Os protetores da natureza contra os agentes do agronegócio mundial e etc (coloque o maniqueísmo que quiser aqui…). No final é uma tentativa de rachar a sociedade brasileira e colocá-la contra si mesma.

Todos os candidatos, sem exceção, tentaram criar um clima de divisão. Nunca de união e isso revela o quão perigosa pode ser essa eleição. Principalmente colocando Haddad como o polo oposto, que deve ser evitado a todo custo.

O debate aconteceu a menos de uma semana das eleições e nada de novo foi apresentado ao eleitor, absolutamente nada. Continuamos no escuro: apenas trocando ofensas e não ideias. O debate revelou, mais uma vez, o que tem por baixo do capô da sociedade brasileira. Apenas ódio e raiva e nenhum projeto de país.

O país está em uma situação economicamente muito fragilizada. Reformas importantes e necessárias dependerão da capacidade de aglutinação do próximo governo. Não haverá espaço para divisão da sociedade.

Victor Candido Victor Candido

Economista

Mestrando em economia pela Universidade de Brasília - UnB. Já trabalhou no mercado financeiro na área de pesquisa e operações. Foi pesquisador do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. É formado em economia pela Universidade Federal de Viçosa.

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