Leitura indicada: The Armchair Economist

A economia geralmente está ligada a aspectos cotidianos das grandes movimentações sociais: o quanto o país cresceu, como os preços estão evoluindo, qual o efeito do dólar em alta sobre os preços do pão (cujo trigo é majoritariamente importado), dentre outros aspectos. Porém, para além desses pontos, a economia também se preocupa com os incentivos, os pontos que, quando bem direcionados, conseguem na grande maioria das vezes alcançar resultados esperados – muito mais do que meramente mudando leis e aguardando que elas “passem a pegar”.

Existem alguns livros que levantam essa temática que você já deve ter ouvido falar, como o best seller Freakonomics (de Stephen Dubner e Steven Levitt) ou mesmo o brasileiro Sob a Lupa do Economista (de Carlos Eduardo Gonçalves e Mauro Rodrigues). Este indicado agora, o The Armchair Economist (de Steven Landsburg), segue na mesma linha, mas com o diferencial interessante: ele se apresenta, para além dos exemplos levantados, como uma lente da economia, uma visão de como os economistas visualizam a sociedade de forma mais direta – focada, claro, nos incentivos.

A obra é dividida em seis partes.

A primeira, What Life Is All About, faz uma apresentação de alguns conceitos diretos que importam muito para a economia com exemplos da vida. Princípios como o da indiferença (levantando a questão da poluição do ar e quem realmente se importa com ela), questionamentos sobre como a lei que obriga o uso de cinto de segurança acabou gerando mais acidentes do que antes (através do olhar pelos incentivos que ela gera) e uma discussão sobre os porquês dos shows do Rolling Stones sempre venderem todos os ingressos (e como a resposta a isso não é tão óbvia assim) estão presentes ali.

Na segunda, Good and Evil, aborda-se a moralidade pelo ponto de vista dos economistas. Aqui discutem-se os problemas que a democracia gera para a tomada de decisões em políticas públicas, a importância da formação de preços para a melhor alocação de recursos na sociedade (a eficiência sobre a equidade, assunto sempre polêmico em relação aos economistas) e até como decisões baseadas na economia já se comportaram em tribunais mundo a fora.

Temos na terceira, How to Read The News, há o maior foco de todo o livro sobre essa ideia de que o leitor deveria vestir os óculos da economia e dos incentivos para verificar o funcionamento da realidade. Nesta parte a questão da guerra às drogas (e como você deveria escolher um lado nessa eterna batalha) é abordada, assim como também a respeito das estatísticas de desemprego e o que querem dizer sobre o que vem a seguir na economia e também uma proposta que, embora focada nos EUA, para nós brasileiros até parece esquisita: a de encaminhar ao fim o bipartidarismo tradicional na política (para que mais ideias possam vir a ser discutidas).

Durante a quarta parte, How Markets Work, o autor retoma o olhar sobre coisas da vida que quase nunca são observadas com a visão econômica (e praticamente nunca com o enfoque de que funcionem como mercados), tais quais o porquê de a pipoca custar mais caro no cinema (e como as respostas óbvias a isso não acertam os reais motivos), o porquê da vida ser cheia de decepções e, para não dizer que seriam apenas os “mercados da vida”, também fala sobre precificação de ações e como isso funciona.

Com a quinta parte, The Pitfalls of Science, o autor fala de como tudo deve ser questionado, desde a eficiência de Einstein como cientista até como economistas estão sujeitos a cometer erros o tempo todo.

Encerrando a obra com a sexta parte, The Pitfalls of Religion, há uma menção direta do autor sobre não ser ambientalista e não acreditar no que chama de “religião da ecologia”, fazendo um comparativo entre o meio utilizado por ambientalistas para apresentarem a necessidade de mudanças sociais evitando um colapso ambiental e como os economistas utilizam os dados e modelos para chegar a seus encaminhamentos sobre a realidade.

Trata-se de uma obra que provavelmente vai deixar um pouco assustado quem acredita que os economistas são insensíveis, mas, no fim das contas, é um ótimo meio de, durante várias das situações apresentadas, pelo menos pensar “isso me parece mais verdadeiro do que o que já havia visto anteriormente”. E, se você realmente gostar muito da obra, talvez você seja mais parecido com um economista do que parece, independente do que isso signifique para você.

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