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Somos um milhão na Bolsa: como chegamos e onde vamos?

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Recentemente foi superada uma marca histórica no tocante ao investimento de ações no Brasil: agora temos mais de um milhão de pessoas em todo o território nacional capazes de realizar estes investimentos na Bolsa de Valores.

Dois contextos diferentes embasam o porquê dessa notícia ser simultaneamente positiva e desafiadora. O primeiro é o da taxa de juros baixa “encorajando” investimentos mais agressivos que possam apresentar um retorno maior e o segundo é o baixo nível de educação financeira em nosso país.

Estamos no menor nível nominal em nossa taxa básica de juros, a Selic, desde o final do primeiro trimestre de 2018. Chegamos aos 6,5% inicialmente com um olhar de que ele não se sustentará, mas nele estamos há mais de um ano sem muitas perspectivas de que torne a subir muito nos próximos tempos – segundo o Boletim Focus de 10 de maio, divulgado nesta última segunda-feira, a Selic deve chegar a 8% em 2022.

Na prática, isso é um atrativo para que o investidor procure alocar seus recursos em outras atividades porque uma coisa é superar ganhos de 6,5% ao ano, outra bem diferente é superar mais de 14% (como tivemos por aqui poucos anos atrás). Para dobrar o investimento, com taxa de juros em 6,5%, são necessários pouco mais de onze anos – enquanto a 14%, pouco mais de cinco anos bastam*. Mesmo os mais conservadores estão pensando na possibilidade de sair de investimentos mais básicos da renda fixa e, certamente, essa marca atingida de um milhão de CPFs tem relação com essa mudança. Essa diversificação maior de investimentos é positiva, porque torna mais amplos os meios de financiamento de projetos no país – seja por ações ou mesmo investimento em outros projetos produtivos.

O desafio presente está em permitir que estes que agora chegaram não só permaneçam investindo em ações como também recomendem a outras pessoas e as convidem para este tipo de investimento. Considerando o nível de educação financeira no país, a aceitação de conceitos básicos como “o valor pode subir ou cair” e o foco necessário no longo prazo (“aloque ali recursos que você espera crescer nos próximos anos, não necessariamente eles te deixarão financeiramente mais confortável ano que vem”) tendem a ser motivos de saída de muitas pessoas.

Em um momento de forte alta, é comum que muitos entrem no mercado. Porém, períodos de forte oscilação e negatividade tendem a assustar muitos. Por analogia, basta ver quais são as reações a aumentos ou reduções nos preços dos combustíveis: por mais que a oscilação ocorra pelo mesmo motivo para cima e para baixo, se quando os preços caem você não vê ninguém defendendo a liberdade de preços, quando sobem já fica fácil verificar protestos indignados. Com as ações, não é diferente: ter a consciência das altas e quedas de curto prazo evita decepções advindas do desconhecimento.

O primeiro grande teste é o período compreendido entre agora e a decisão – de aprovação ou não – da reforma previdenciária. Chegamos a um milhão, vejamos quanto os solavancos dos próximos tempos permitirão que este número se mantenha, aumente ou mesmo acabe por se reduzir.

*Cálculos realizados utilizando a Carteira de Juros Compostos, considerando valor inicial de R$100, sem aportes mensais e as taxas anuais de 6,5% e 14%.

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