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Setembro amarelo e sua relação com a economia

O Setembro Amarelo é uma campanha de conscientização sobre a prevenção ao suicídio, que entrou no calendário “temático das cores” há pouco tempo, ao lado do outubro rosa (câncer de mama), novembro azul (câncer de próstata) e dezembro vermelho (DSTs). O que pouca gente sabe, são os números associados aos casos de pessoas que tiram a própria vida por razões diversas, no Brasil e no mundo, e como esses casos podem estar relacionados ao desempenho da economia, e, em última instância, ao seu próprio bem-estar.

Os números são assustadores. Estima-se que apenas em 2018, pouco mais de 800 mil pessoas cometeram suicídio em todo o mundo, segundo a World Health Organization, o que equivale dizer que a cada 40 segundos uma pessoa comete suicídio em algum lugar do planeta. No Brasil, foram 13 mil pessoas que deram um fim a própria vida, resultando em uma taxa de 6,5 a cada 100 mil habitantes, o que coloca o Brasil na 113º posição no triste ranking dos países com maior índice de suicídios. A maior taxa está na Lituânia (31,9), seguido por Rússia (31), Guiana (29,2), Coreia do Sul (26,2) e Suriname (22,8). Contudo, se considerarmos o número absoluto de pessoas que cometem suicídio, se destacam a Índia (220 mil | 16,3), China (138 mil | 9,7) e Rússia (45 mil | 31).

Apesar da “foto” não ser tão ruim, o filme desse assunto no Brasil não é tão animador, conforme mostra o gráfico abaixo, obtido a partir da combinação de informações de relatório do Ministério da Saúde (até 2016) e da Organização Mundial da Saúde (a partir de 2017):

Se olharmos com atenção, a taxa de mortalidade por suicídio observada no Brasil, se ainda é baixa comparativamente a outras nações, vem subindo de forma consistente nos últimos anos, coincidindo com os impactos da crise econômica brasileira, iniciada em 2015, cujos efeitos ainda são sentidos para a maioria de nós brasileiros. Há uma discussão no mundo das pesquisas acadêmicas se existe de fato algum efeito do ambiente econômico.

Pesquisadores da Universidade de Portsmouth estimaram que a crise econômica de 2007-2008 adicionou 10.000 casos, além na média observada. Outra pesquisa, da Social Science Research Network (SSRN), mostrou que quedas bruscas no índice da bolsa americana, como foi o caso em 1929, levam a maiores taxas de suicídio tanto no ano em que ocorre a crise, quanto nos anos seguintes.

Outras linhas de pesquisa buscam estimar o custo desses casos para a economia em geral. Um recente estudo estimou que o custo dos suicídios e das tentativas em 2013 nos EUA foi de US$ 93,5 bilhões, sendo que 97% desse valor é a produtividade perdida dessas pessoas que decidiram dar um fim precocemente a própria vida (os 3% restantes são dos custos associados ao tratamento médico).

A verdade é que os casos de suicídio, no Brasil e no mundo, devem ser tratados com seriedade pelo governo e sociedade. O mesmo estudo que estimou em US$ 93,5 bilhões o custo dos suicídios, também calculou que para cada US$ 1 gasto na prevenção/intervenção em eventuais casos, o montante economizado no futuro (devido a não efetivação do suicídio) era de US$ 2,50.

Movimentos como o setembro amarelo nos relembram a importância de estarmos atentos a qualquer sinal manifestado por pessoas próximas a nós, como familiares, amigos e colegas de trabalho. Os casos de depressão que podem levar ao suicídio não escolhem credo, raça ou classe social. Não há um padrão pré-definido, e, por isso, toda atenção é válida. Quem salva uma vida salva o mundo inteiro.

Busque informações, procure ajuda, fale abertamente sobre as emoções. A fala auxilia no entendimento dos sentimentos, na compreensão do que se passa dentro de si. Sem julgamentos, contra si ou contra o outro. E, se quiser, busque o Centro de Valorização da Vida (CVV). Ligue 188. https://www.setembroamarelo.org.br/

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