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Semana do Brasil: A Black Friday Verde Amarela

A Semana do Brasil, idealizada pelo governo via Secretaria Especial de Comunicação Social (SECOM) e com apoio de mais de 4.500 estabelecimentos comerciais em todo o território nacional, chegou ao fim no último domingo, dia 15/09. Ao longo de 10 dias, várias lojas e empresas deram descontos na compra de mercadorias, produtos, imóveis e até condições especiais em investimentos. A ideia era recriar o ambiente propício para compras, assim como ocorre na Black Friday americana, aproveitando-se de um feriado nacional (dia de ação de graças); no caso brasileiro, a comemoração do 7 de setembro.

Os resultados finais da Semana do Brasil, embora tímidos, mostram futuro promissor. Nos 5 primeiros dias (6 a 10 de setembro), as compras via e-commerce totalizaram R$ 1,1 bilhão, com um crescimento nominal de 37% se comparado com o mesmo período do ano passado. Se descontado o crescimento natural do canal digital, o aumento chega próximo a 10%. Quanto aos segmentos mais procurados, destacam-se os cosméticos (19,8%), móveis e eletrodomésticos (12,6%), supermercados (4,5%) e vestuário e artigo esportivo (6,1%).

Apesar dos números expressivos, os valores observados na primeira edição da Semana do Brasil ainda são uma fração bem pequena da própria Black Friday, que ocorre em novembro, e que movimentou R$ 2,9 bilhões de reais no comércio eletrônico em 2018. Ou seja, apenas um dia resultou em mais do que o dobro da soma dos 5 primeiros dias da Semana do Brasil, o que é um resultado absolutamente normal, tendo em vista a consolidação da data no calendário de compras. Nos EUA, para se ter uma ideia, tem vendas online na faixa de R$ 25 bilhões, mais de 8 vezes o observado em terra brasilis. Afinal, poucos sabem jogar o jogo do consumo como os amigos do Tio Sam.

Black Friday x Semana do Brasil

Algo que deve ser observado é que existe no Brasil uma diferença notável entre o perfil de consumo em relação aos EUA. Embora nos dois países existam datas comemorativas que aumentem o consumo, temos por lá uma distribuição maior do consumo durante o ano, enquanto, por aqui, essas datas servem como estímulo a uma criação desta cultura. Sinal disso é que as datas comemorativas por aqui têm ficado mais próximas (repare que, além de dia das mães, namorados, pais, natal e crianças, apenas nos últimos anos tivemos o advento da Black Friday e agora da Semana do Brasil).

A própria Black Friday, aliás, é um momento em que os estoques precisam ser baixados para que cheguem os que terão foco de venda no natal norte-americano. Diferente do modelo brasileiro (ao menos no tocante aos anúncios sobre essa questão, que tratam o caso como sendo uma oportunidade valorosa como em qualquer outra época do ano).

O padrão de consumo do brasileiro é, historicamente, atraído pelo modelo dos americanos, possivelmente como um efeito que vem sendo carregado desde nosso primeiro alinhamento mais firme com o Tio Sam, durante a segunda guerra mundial. Àquela época, as chamadas “sobras de guerra” (materiais de todo tipo produzidos por lá) vinham parar aqui – algo que começou no Estado Novo de Vargas e foi fortemente impulsionado por Dutra (e que, por mais que tenha diminuído ou bastante atacado mais adiante, nunca deixou de ser inspiração).

Um esforço mais direcionado por parte do governo em direção às melhorias da economia que envolva a atitude da iniciativa privada é louvável. De acordo com a ótica da despesa do PIB, o crescimento pode vir de uma das seguintes formas: exportações líquidas (o agro sustenta a renda, mas não é capaz de expandi-la indefinidamente), gastos do governo (dívida alta, carga tributária sufocante e perigo inflacionário caso não controle o fiscal mostram que aqui não há fôlego), consumo das famílias (endividamento e desemprego ainda altos) e investimento (ganhos ocorrem de maneira não instantânea). Na parte dos investimentos, temos um trabalho produtivo ocorrendo por parte do Ministério da Infraestrutura de permitir que a iniciativa privada faça o que o Estado não tem mais dinheiro para fazer e, pelo lado do consumo, o governo tem dado esse apoio.

Importante notar que, dentre os itens que levam ao avanço do PIB, o que tem mais foco de desenvolvimento sustentável é o investimento, que acaba por pavimentar as condições básicas de se fazer negócios (modais de transporte mais eficientes farão maravilhas neste país em termos de integração, redução de custos e aumento de possibilidades empresariais). Porém, levando em consideração ser possível não envolver um necessário aumento da despesa do governo para tocar esse tipo de programa – veja que, nesse caso, não há liberação de crédito, corte de imposto e nem nada parecido -, temos aqui uma medida positiva.

Unindo esse tipo de iniciativa (a Semana do Brasil) ao fato de que o FGTS será liberado por esses tempos e também ao observado de que tivemos uma surpresa positiva no PIB do segundo trimestre de 2019 (com os investimentos em ascensão e o consumo também), é possível afirmar que a recuperação econômica já está em curso – de maneira consideravelmente mais lenta do que muitas previsões (e ainda teremos um crescimento abaixo de 1% neste ano), mas, sem dúvidas, já está em curso.

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