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Ontem o Banco Central optou por manter a taxa Selic em 6,5%a.a, um resultado esperado, porém o grande destaque foi a comunicação após a reunião onde o BC revelou as suas projeções para a inflação, que surpreenderam o mercado e indicaram que os juros vão permanecer baixos por mais tempo o que o esperado.

Mas já chegamos a um piso na taxa de juros. Para apoiar minha resposta recorro a 3 pontos:

1 – O conhecimento coletivo do mercado que se reflete no preço dos derivativos de juros (Em bom português, o quanto o mercado está apostando que vai ser a taxa de juros nos próximos meses e anos);

2 – A economia mostra claro sinais de que está se recuperando apesar, de ainda não mostrar nenhum grande sinal de aquecimento generalizado; e

3 – A taxa de juros já está abaixo do juro neutro.

 O ponto 1 é bem interessante, quando olhamos para a curva de juroscomo é conhecido o mercado de derivativos de juros brasileiros. Podemos ver o quanto o mercado aposta em quanto será a taxa de juros em um determinado ponto do tempo. Essas apostas podem ser feitas para o mês que vem, daqui dois meses ou daqui 10 anos.

Qual a vantagem de se analisar a curva? Nela vem embutida todo o conhecimento do mercado sobre qual o nível de juros ideal e também as apostas de quais serão os movimentos do Banco Central, logo, existe muita informação relevante a ser extraída desse enorme jogo de “eu acho”…

 Olhando a curva podemos ver que o mercado, já para daqui 1 ano, acredita em uma taxa bastante parecida com a que temos hoje, o derivativo com vencimento em janeiro de 2020 indica uma taxa de juros ao redor de 6,62%, ou seja, bem próximo do que é hoje: 6,5%.

O ponto 2 foge um pouco do mercado financeiro e foca na economia real, pois quando olhamos os diversos dados de atividade, a economia está mostrando boa recuperação.

Ainda existe grande capacidade ociosa na economia, basta ver os dados de utilização da capacidade instalada da indústria que ainda está próxima de 80%, sem contar o desemprego que ainda continua na casa dos dois dígitos. Portanto, no curto prazo, ainda não existe muito espaço para investimentos que ampliem a capacidade instalada e nem pressões salariais, pois ainda existem muitas pessoas em busca de trabalho.

Logo, tudo isso não gerará pressões inflacionárias via investimento ou aumento de salários.

O ponto 3 é o mais controverso. O juro neutro ou taxa de juros de equilíbrio é a taxa que não acelera a inflação, ou seja, ela mostra o equilíbrio de uma economia. Existem pelo menos 5 métodos para calcular tal taxa; dessa forma, é difícil encontrar uma estimativa exata, porém existe consenso inclusive do próprio Banco Central que a atual taxa de juros da economia brasileira está abaixo da taxa neutra, isto é, o atual nível da taxa de juros é estimulante e deveria já estar afetando a inflação.

Porém, como dissemos no ponto 2 ainda existe espaço na atividade econômica para juros baixos sem pressões inflacionárias. Porém, mesmo assim a economia não pode ficar com sua taxa de juros muito tempo abaixo do juro neutro, pois corre-se o risco de uma explosão inflacionária no futuro, ou seja, mais um limitante para que os juros caiam muito mais.

Apesar dos bons dados de inflação, e da própria fala do Presidente do Banco Central, que disse que foi surpreendido pela inflação, já estamos no piso para a taxa de juros.

Victor Candido Victor Candido

Economista

Mestrando em economia pela Universidade de Brasília - UnB. Já trabalhou no mercado financeiro na área de pesquisa e operações. Foi pesquisador do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. É formado em economia pela Universidade Federal de Viçosa.

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