Selic em 2,25%: Tesouro Selic ou Poupança?

No final do ano passado você viu aqui um artigo que tratava das funções da Poupança com a Selic em 4,5%, o dobro do patamar em que se encontra atualmente. Naquele momento, em que a queda foi de 50 bps e se chegava a 4,5% ao ano, a recomendação era de manter nessa aplicação apenas os recursos destinados ao consumo nas proximidades, dado que o rendimento era baixo demais para compensar a manutenção desses recursos como meio de investimento.

E agora, com uma queda de 75 bps e a taxa em 2,25%, qual seria a ideia? A resposta é menos intuitiva do que se imagina.

Em uma análise com a aplicação mais conhecida por ser a substituta ótima (com mesmo risco e maior rendimento) da Poupança, no Tesouro Selic vemos como a questão não é tão óbvia. Vejamos a partir de quatro aspectos: liquidez, acessibilidade, rendimentos e custos, chegando ao final até a um quinto item importante, que é qual vale a pena para cada situação.

Liquidez

 Tesouro Selic e Poupança estão par a par neste aspecto. Nos dois casos você pode retirar os recursos a qualquer momento. A diferença está na aplicação, que pode demorar um pouco mais no caso do título do Tesouro, enquanto a Poupança tem aplicação imediata.

Acessibilidade

Para alocar recursos na Poupança, basta ter uma conta em um banco, podendo este ser tradicional ou digital. Já para fazer aplicações no Tesouro Selic, ou em qualquer título do Tesouro Direto, é preciso ter conta em uma corretora. Neste item, se por um lado a Poupança é mais acessível, por outro é interessante pensar na gama de novas possibilidades de investimentos que se tornam possíveis a partir da abertura de uma conta em alguma corretora, como a Guide.

Rendimentos

A Poupança rende 70% da Taxa Selic + a Taxa Referencial (TR), o que atualmente significa que ela rende algo próximo de 1,5% ao ano. O Tesouro Selic tem como rendimento a Selic, que é, atualmente, 2,25% ao ano.

Custos

Na Poupança eles inexistem: tanto para aplicar quanto para sacar os recursos, não há custos. Já no Tesouro Direto temos pelo menos duas taxas: 0,25% da B3 (que tem a custódia dos títulos) e o Imposto de Renda, podendo ter também uma terceira que é a taxa cobrada pela corretora para que você compre títulos. Sobre o imposto de renda, funciona da seguinte maneira o desconto sobre o rendimento: 22,5% se você segurar o título até seis meses, 20% se o fizer entre seis meses e um ano, 17,5% se o fizer entre um ano e dois e 15% vendendo o título após dois anos de sua compra. Vale dizer que na Guide, a taxa é zero para esse tipo de investimento.

Mas e aí, qual delas vale mais a pena?

Neste momento entra o item não tão intuitivo mencionado no início deste artigo, que é uma comparação direta do resultado de cada um, levando em conta o rendimento menos os custos envolvidos.

Este resultado líquido, no caso da Poupança, é de 1,575%.

No caso do Tesouro Selic, ele depende do tempo que você vai segurar o título em carteira. Levando em conta o custo anual da B3 (de 0,25%) e o Imposto de Renda, isso considerando que a corretora tenha custo zero para manutenção de títulos do Tesouro Direto, temos que o rendimento anual é de 1,645%.

Provavelmente o leitor chegou até este ponto e pensou: “Mas então qual é a dúvida? Se o Tesouro Selic rende mais até em termos líquidos, por que não deixar lá?”. E aqui entram duas questões para te fazer pensar sobre: a inflação e o tempo que você deve deixar o dinheiro lá.

Inflação e tempo fazem diferença!

Para o ano de 2020, as estimativas de inflação ficam superiores a 1,6% e, para os próximos anos, superam os 2%. Levando em conta uma continuidade atual do patamar da Selic, neste ano ainda compensará manter o Tesouro Selic como mais vantajoso que a Poupança por este primeiro superar a inflação, mas a partir de 2021 nenhum dos dois superará – ou seja, manter os recursos de reserva de emergência em qualquer um deles significará perda de poder de compra.

Especificamente em termos desse rendimento líquido, embora em um ano o Tesouro Selic supere a Poupança, dentro deste ano os dois caminham consideravelmente juntos. Há uma leve superação apenas em seis meses, quando o Tesouro apresenta um rendimento líquido de 0,7939%, enquanto a Poupança apresenta um rendimento de 0,7844%. Então é virtualmente impossível dizer que existe tanta vantagem de um sobre o outro.

O que devo fazer?

Tal qual no artigo sobre a Poupança do final de 2019 – referenciado logo ao início deste texto -, a ideia é que se mantenham recursos nesta aplicação estritamente que forem utilizados no curtíssimo prazo (para pagar contas de rotina, por exemplo), dado que agora será literalmente pior, pelo Imposto de Renda envolvido, fazer transações com o Tesouro Selic durante um intervalo menor a seis meses.

Quanto aos períodos superiores a seis meses segue a recomendação de manter sua reserva de emergência no Tesouro Selic. Porém, com o fato de que a inflação a partir de 2021 supera tanto este quanto a Poupança em rendimento, o mais prudente é aproveitar a conta aberta na corretora para procurar melhores oportunidades com risco baixo para alocar sua reserva de emergência.

No fim das contas, tenha em mente algo fundamental: mesmo levando em conta que os juros ao longo do tempo apontam para uma subida da Selic nos próximos anos, aparentemente a era de renda fixa tranquila e recompensadora parece ter acabado no Brasil.

Em termos de tempo, os próximos seis meses serão importantes para que você pense mais adequadamente sobre onde manterá seus recursos de reserva de emergência. Pois, como bem apresentado aqui, a partir de 2021 – a depender do atual nível da Selic -, tanto Poupança quanto Tesouro Selic representarão perda de poder de compra.

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