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Revisão: cenário internacional é confuso.

Se você está um pouco confuso com aquilo que está acontecendo no cenário internacional, nos mercados, e não sabe o que esperar à frente, não se preocupe. Você não é, muito provavelmente, o único. Investidores, atentos aos mais diversos assuntos, ainda digerem as novidades dos últimos dias. Vale destacar que ações/sinalizações de bancos centrais e governos têm mexido, e muito, com os mercados. Em meio a tudo isto, saiu um relatório novo da OECD, atualizando as projeções de crescimento global. Quais foram as recentes novidades? Aqui, neste artigo, aproveito para fazer um breve resumo destes acontecimentos.

Aviso: o cenário internacional é confuso.

Em meados deste mês de setembro (dia 12), o banco central europeu (ECB) anunciou mais estímulos na Zona do Euro e pediu aos governos regionais, de forma muito clara, mais impulsos fiscais. A Alemanha, que está próxima de uma “recessão técnica” , parece ter começado a ouvir as preces do ECB – algo que pode diminuir os receios de que a fragilidade econômica se espalhe mais na região. Na mesma direção, nos últimos dias, outras instituições acabaram seguindo o mesmo caminho dos estímulos. Na última quarta-feira (dia 18), por exemplo, foi a vez do banco central dos EUA (FED): a instituição cortou as taxas de juros pela segunda vez consecutiva, em linha com o esperado pelos investidores. Em outros países (seja via banco central e/ou governo), como é o caso de Japão, China, Reino Unido e Índia, estímulos de alguma natureza também foram anunciados e/ou sinalizados.

Mas isto tudo é um problema ou uma solução? Vejo, com certa preocupação, uma espécie de “dependência” dos mercados às políticas de estímulo ao redor do mundo. Correndo o risco de ser repetitivo, volto a fazer o seguinte questionamento: até quando serão os bancos centrais capazes de dar suporte aos mercados e às expectativas dos investidores? Estariam os bancos centrais arrumando a casa ou simplesmente aumentando o tamanho da sujeira que se esconde abaixo do tapete? O viés mais expansionista ainda continua no exterior – algo que, diga-se de passagem, também permite que a Selic continue numa trajetória de queda adiante. O corte do banco central brasileiro (de 6.0% para 5.5%), na última semana, também deve ser visto nesta ótica global de mais estímulos às economias, e numa tentativa de acelerar o crescimento econômico.

Comentei, em meu último texto, que o FED não parece sinalizar (ao menos de forma clara) mais cortes nos próximos meses, mas o mais provável, em minha opinião, é que os riscos internacionais — guerra comercial e/ou desaceleração global — o façam mudar de ideia. É provável que vejamos mais reduções de juros até o final de 2020; tudo dependerá da evolução do cenário. Aliás, num comentário neste blog, e a despeito da dificuldade em fazer uma análise sobre aquilo que está acontecendo hoje na Arábia Saudita, afirmei que o recente “choque de petróleo” é algo que reforça tais riscos internacionais. Considerando que o impasse comercial entre EUA e China não se dissipará tão facilmente (a delegação chinesa cancelou no final da semana passada a viagem aos EUA, por exemplo), tudo aponta para perspectivas econômicas menos brilhantes à frente.

Com relação às projeções de crescimento global, vale destacar o novo relatório da OECD, divulgado na última quinta-feira (dia 19): “Aviso: baixo crescimento à frente”. Em 2019, a economia global deve ter o pior desempenho desde 2009, quando fomos todos afetados pela crise financeira. O mundo deve crescer 2.9% neste ano e 3.0% em 2020. Em maio, projetava-se 3.2% e 3.4%. Estes números, no entanto, podem piorar ainda mais se a guerra comercial continuar. Como comentei quando saíram as últimas projeções do FMI, há aproximados 2 meses, “ainda parece possível que as projeções de atividade global piorem antes de voltarem a melhorar, infelizmente”. Vale notar: naquele momento, o FMI projetava crescimento global de 3.2% para 2019 e 3.5% para 2020. De volta ao relatório da OECD: os EUA, segundo a instituição, devem crescer 2.4% neste ano, e 2.0% no próximo. O FED, que divulgou suas novas projeções oficiais também nesta semana, prevê números parecidos: 2.2% e 2.0%, respectivamente.

Como têm respondido os mercados?

Nos EUA, o índice S&P 500, embora tenha operado em baixa desde o final de julho, data do meu comentário sobre o FMI (25 de julho), subiu recentemente. A bolsa dos EUA encontra-se praticamente no mesmo patamar em que estava há 2 meses. Após ganhos de quase 20% no ano, seguirá a subir a partir de agora? O dólar ao redor do mundo (dólar index), por outro lado, segue num viés de valorização: subiu pouco menos de 1% desde o final de julho, e aproximados 4.8% se considerarmos o período de 1 ano. Num contexto de preocupação quanto ao crescimento futuro, os juros de 10 anos dos títulos dos EUA, há pouco tempo operavam acima de 2%, e agora estão na casa dos 1.7%. Aqui, persiste a tendência de baixa. À frente, se considerarmos que os atuais riscos internacionais não irão se dissipar de forma rápida, parece razoável esperar a continuidade das tendências para o dólar e os juros nos EUA, e um vai-e-vem das bolsas que, neste momento, não parecem prometer ganhos tão expressivos como no passado.

Ignacio Crespo Ignacio Crespo

Economista

Mestre em Economia pela Fundação Getúlio Vargas (FGV/EPGE) e em Finanças pela Barcelona Graduate School of Economics (BGSE). Graduado em Ciências Econômicas pelo INSPER. Entre 2013 e 2018, atuou como economista da Guide Investimentos, cobrindo o mercado doméstico e os internacionais, e sendo um dos responsáveis do asset allocation dos clientes. Desde 2018, atua como consultor Guide Investimentos, cobrindo principais eventos do cenário internacional e escrevendo artigos semanais para o blog.

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