Renovando sanções: Trump mantém petróleo na gangorra

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Anunciada nesta 2ªF, a decisão do governo Trump pela não renovação da isenção de sanções a países importadores de petróleo iraniano já repercutiu de forma significativa no preço da commodity.  Em um mercado com oferta já pressionada por conta de entraves em países produtores como Nigéria, Libya e Venezuela, o preço do contrato futuro do Brent/junho reagiu imediatamente à decisão americana, e já ultrapassou o patamar dos US$ 74/barril, valor que configura o maior nível registrado desde novembro do ano passado. Vale ressaltar: em outubro/18, o preço do Brent operava os US$ 86/barril – a máxima em um período de quatro anos – quando, acompanhada de um receio maior sobre uma desaceleração econômica global, a decisão dos EUA de conceder estas isenções para a importação de petróleo iraniano contribuiu para uma desvalorização mais aguda da commodity.

A “trégua” em curso vence no dia 2 de maio, e segundo a Secretária de Imprensa da Casa Branca, Sarah Sanders, a decisão por não renova-la tem como objetivo acabar com as exportações de petróleo do Irã – a maior fonte de receita do país. Até lá, a isenção permite a importação de petróleo iraniano por China, Índia, Coréia do Sul, Grécia, Itália, Japão, Taiwan e Turquia, que combinados tem sido responsáveis pela compra de mais de 1 milhão de barris/dia (est. Bloomberg).

O governo americano garantiu que os Estados Unidos, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos se comprometerão em suprimir o rombo na oferta da commodity, e a capacidade destes produtores de “suavizar” esta transição deve ditar a direção dos preços no curto prazo. Ainda assim, a pressão sobre alguns países dependentes da importação do bem será inevitável. Dentre os compradores, a expectativa é que os países que mais sentirão a mudança são China, Índia e Coréia do Sul, três dos maiores importadores do petróleo advindo do Irã, e cuja isenção permite a compra combinada de até 860 mil barris/dia.

Outra implicação que a renovação das sanções ao petróleo iraniano trará, é que o acordo de produção entre a Organização de Países Exportadores de Petróleo e seus aliados (grupo conhecido como OPEP+) – que vinham realizando cortes de produção para conter a oferta desde o início de 2019 – deve ser posto em xeque, uma vez que os EUA anunciaram o comprometimento da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos em compensar o volume perdido. Uma decisão sobre os próximos passos do grupo deve ser tomada até junho, quando ocorre a próxima reunião da OPEP+.

Por ora, a expectativa sobre a perda de volume que deverá advir do corte de fornecimento iraniano seguirá pressionando os preços, com a magnitude deste impacto estando diretamente condicionada à eficiência com a qual os EUA, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos conseguirão compensar o fluxo de petróleo no mercado. Além disso, o mercado deverá questionar a viabilidade da política de contensão da produção da commodity que vem sendo adotada pela OPEP+, e acompanhará atentamente os próximos passos do grupo em relação a isso.

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