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Renda variável: de olho no futuro

Você tem acompanhado nas últimas semanas aqui nesta coluna sobre quando é válido deixar seu dinheiro na poupança e em que situação ainda é boa pedida que ele fique na renda fixa. Eis que, então, chegou a hora de falar dela, a estrela das manchetes em tempos de bullmarket: a renda variável.

Renda variável é aquela que, como seu nome deixa bem claro, não oferece expectativa de retorno ao longo do tempo – como faz a renda fixa -, o que pode significar tanto que uma grande queda pode moer seu patrimônio quanto um momento de relevante alta pode mudar sua vida. Mas, afinal de contas, como saber se é hora de dar alguns passos em direção a esse terreno tão variante?

Voltemos brevemente aos artigos sobre a poupança e sobre a renda fixa. Para a poupança, sobram as alocações do dia a dia (já que não vale a pena ficar pagando IOF e IR sobre um dinheiro que já se sabe ser de permanência curta na conta). Para a renda fixa, uma reserva de riscos e oportunidades (a liquidez que facilita no caso de algo fora do comum, pro bem ou pro mal). Considerando que você esteja preparado nesses dois primeiros aspectos, é hora de pensar na renda variável.

Tenha em mente, logo de início, que renda variável é onde você deve aportar recursos que não precisa nos próximos anos, dado que para as despesas correntes você já se prepara com a poupança e para as eventualidades se prepara com a reserva em renda fixa. A grande novidade que temos em um Brasil de Selic nunca antes vista em tal patamar, é que agora o “investimento para o futuro” está cada vez mais distante da renda fixa – ou, mais diretamente, o “1% ao mês sem muito esforço nem risco” parece ter acabado.

Para a renda variável, tenha em mente que pelo menos alguma parte do seu tempo será necessária para buscar compreender como as diversas possibilidades funcionam. Ações são as menores partes de uma empresa, ETFs replicam índices e fundos de investimentos têm gestores que passam o tempo todo buscando os melhores retornos possíveis. Como saber em qual se encaixa mais (ou o quanto é válido estar em cada um desses e outros meios mais) envolve uma certa pesquisa prévia para não se arrepender depois.

O primeiro dos passos é descobrir seu perfil de investidor. Não é de se espantar que em um país conhecido como sendo o condado da renda fixa, mas que agora se depara com o desafio de investir em renda variável ou ver o valor do dinheiro ser corroído pelo tempo os testes de perfil de investidor estejam mudando, já que mesmo o maior dos conservadores, se quiser pelo menos buscar os retornos fáceis de poucos anos atrás, terá de buscar um pouco mais de risco. Esteja atento ao seu próprio perfil de investidor e a que modalidades de investimento há maior encaixe.

Mas uma coisa é fato: estômago, paciência e olhar no futuro são absolutamente necessários se você quiser encarar esse mundo.

Estômago: alguma má notícia no mercado pode te fazer perder bastante em um dia (Joesley Day, por exemplo, teve esse efeito) e, por outro lado, grandes períodos de alta te farão sentir como se estivesse em um cassino. Controle-se focando em seu perfil para não se arrepender.

Paciência: no longo prazo, o mercado de renda variável vence o da renda fixa. Há uma polêmica sobre esse ponto, pois por aqui somos acostumados a uma taxa de juros elevada, mas na continuidade dela em baixos patamares, de fato não haverá sequer comparativo entre o retorno da renda fixa e o dela. O CDI continua um bom comparativo para analisar o rendimento dos seus investimentos e verificar como a renda variável é superior ao longo do tempo à renda fixa.

Olhar no longo prazo: o hábito de seguir investindo em boas empresas (ou bons fundos, ou bons índices…) é o que fará com que os recursos acabem se acumulando de maneira mais vantajosa. Ganhos de curto prazo são possíveis? Claro que são: apenas em 2019 o Ibovespa superará 30% de valorização (enquanto a renda fixa não chegará a 7%). Mas há anos em que há desvalorização imensa. Não deixe que resultados de curto prazo te impressionem ou desanimem, pois é ao longo do tempo que as verdadeiras riquezas são construídas no mercado de renda variável.

Com Selic baixa acabou a moleza de comprar aquele título público e esquecer até a aposentadoria. Você pode até fazer isso, mas terá de viver com o fato de que os juros reais a que você pode estar sujeito talvez sejam negativos (o que faz com que você perca dinheiro no tempo).

Não se trata de um caminho fácil, mas não é impossível: dá para usar poupança, renda fixa e renda variável para ter uma vida financeira mais tranquila.

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