Fique por dentro do mundo da economia!


CADASTRE-SE AQUI

Reforma da Previdência e o Dólar: tudo a ver!

tags Iniciante

Nas últimas semanas, o processo legal envolvendo a Reforma da Previdência avançou consideravelmente. Os deputados aprovaram o texto do relator Samuel Moreira (PSDB-SP) por 36 votos, o que possibilita a primeira votação no plenário possivelmente antes do recesso parlamentar, que ocorre em julho. A Reforma da Previdência é a principal entregapor assim dizer – do governo Jair Bolsonaro na parte econômica, encabeçada pelo polivalente Ministro da Economia Paulo Guedes. Isso porque essa reforma é considerada a mãe de outras reformas, como a tributária e política, por exemplo. A economia estimada com a reforma no pagamento de benefícios e pensões nos próximos 10 anos está estimada pelos analistas de mercado em R$ 850 bilhões, embora a equipe econômica ainda trabalhe com o número de R$ 1 trilhão, que garantiria a ‘potencial fiscal’ almejada para os próximos anos.

Inegavelmente, a reforma da previdência tem impacto em praticamente todos os indicadores econômicos brasileiros, como PIB, juros, inflação e dólar. Quanto a esse último, observamos uma oscilação intensa nesse primeiro semestre, resultado de fatores externos, sem dúvida, como as tensões comerciais entre EUA-China, decisões do FED relacionados aos juros e frustrações nas expectativas de crescimento de países europeus. Mas os fatores internos, como é o caso da tramitação da reforma da previdência assim como outros fatores políticos também deram o tom. Vejamos o gráfico a seguir, que explica boa parte dessa história.

Até o início de fevereiro, a cotação da moeda americana observou queda significante de valor, chegando ao patamar de R$3,64, com expectativas positivas acerca da entrega do texto final da reforma, que foi efetivado no dia 20 de fevereiro, com a entrega simbólica do texto da reforma (PEC 6/2019) pelo presidente Jair Bolsonaro ao presidente da câmara, Rodrigo Maia. Contudo, nem tudo são flores. O governo demorou para que a comunicação e principalmente o manejo do Congresso fosse azeitado, e turbulências foram observadas nesse período. No final de março de 2019, a relação com Rodrigo Maia encontrava-se bastante desgastada, desagradando boa parte do mercado, com implicações diretas no dólar e na bolsa. Em maio de 2019, uma combinação de fatores (possível greve de caminhoneiros, lentidão no andamento da votação da reforma da previdência, redução expectativa PIB, entre outros) levaram o dólar para a casa dos R$ 4,10, elevando temores de descontrole cambial, um fantasma que de vez em quando assombra a terra brasilis.

No entanto, a tramitação da reforma entrou nos eixos (com a atuação direta de Maia), além de outros fatores externos auxiliaram na redução da cotação do dólar, voltando ao valor de R$ 3,80. Inclusive, o valor atual se aproxima da própria estimativa do mercado – medida pelo Boletim Focus – para o final do ano, que ronda a casa dos R$3,80, conforme demonstra o gráfico acima.

Valendo-se do lema econômico “país forte, moeda forte”, é importante compreender o efeito de expectativas positivas (ou negativas) para a economia nacional e seus efeitos sobre a moeda. O Brasil gasta aproximadamente 57% dos gastos primários com a previdência, e isso causa um enorme rombo fiscal, que se não for corrigido, aumenta substancialmente a dívida pública, levantando dúvidas sobre sua solvência no futuro. Esse efeito, por si só, desvaloriza a moeda nacional, pois o risco de calote passa a ficar cada vez maior.

Felizmente, parece que estamos saindo desse caminho sombrio. Afinal, a década de 80 e 90 com crises cambiais sequenciais estão aí para contar o fim dessa história.

Terraco Econômico Terraco Econômico

Parceiro Guide

Hoje o maior blog independente de economia do Brasil, foi criado por 4 amigos em 2014, o motivo? Fornecer análises claras e independentes sobre economia e finanças, sempre com a missão de informar o leitor.

307 visualizações

relacionados

Bitnami