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Recordes no Ibovespa e psicologia do investidor

A promulgação da reforma da Previdência é iminente, as reformas estruturais apresentadas pelo governo têm progredido e a taxa Selic nunca esteve num patamar tão baixo. É compreensível, dado o cenário atual do Brasil, que fatores como estes reverberam na bolsa de valores. O recorde do Ibovespa foi superado por três dias seguidos, dizem os noticiários. É hora de vender caro ou manter posição, seguindo a tendência bullish? Difícil dizer, mas podemos pensar de forma diferente: como recordes e tantos eventos “midiáticos” influenciam a mente do investidor?

Quando o Ibovespa (e tantos outros índices) superam um recorde prévio, é comum testemunharmos certa exuberância na comunidade financeira. Na perspectiva das finanças comportamentais, um evento desse tipo é interessante porque pode servir como âncora aos investidores pouco sofisticados. Isso é, os investidores destinam uma atenção relativamente maior ao evento em si, tornando-o uma referência influente na tomada de decisões.

Entretanto, a qualidade desse tipo de referência é discutível. Por exemplo, um acontecimento simbólico e devidamente noticiado pela mídia financeira pode coincidir com a publicação de relatórios economicamente relevantes (PIB, inflação ou emprego). Assim, com esses dois fatores concorrendo pela atenção dos investidores, há um enorme ruído e relações de causalidade são ditadas mais por narrativas do que estatísticas.

Ainda que os níveis de atenção aos recordes e eventos análogos sejam relevantes, é difícil mensurar qual o impacto disso sem “voltar no tempo” e perguntar aos investidores o que fariam antes daquela manchete no jornal. Assim, fica-se limitado ao tipo e eficácia dos métodos quantitativos empregados, além da própria disponibilidade de dados.

Uma distinção a ser feita é o que queremos dizer quando falamos “investidor”. A própria literatura sobre o tema aponta que, quando comparado ao investidor institucional, investidores individuais reagem de forma diferente aos famosos headliners. Em última instância, esses investidores se sujeitando a diversos outros vieses comportamentais.

Considerando, ainda que brevemente, as relações entre psicologia do investidor e um recorde, como foi o do Ibovespa, lembramos do sábio conselho de Benjamin Graham: o maior inimigo do investidor é ele próprio. Vieses, pontos de referência e muita atenção investida em notícias exuberantes. Fica a questão: no mercado de narrativas, você compra na baixa e vende na alta?

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