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Ray Dalio: O que aprendi com um sujeito de princípios

 

Na semana passada terminei um baita livro: Principles: Life and Work (em português “Princípios: Vida e Trabalho”) do Ray Dalio. Ele é um investidor bilionário e filantropo, americano, e gestor de um dos maiores hedge funds do mundo, que pertence à gestora Bridgewater Associates, a qual Ray também é fundador.

Para se ter uma ideia do tamanho da figura e da responsabilidade de Ray Dalio, em termos financeiros: a Bridgewater tinha, ao fim de 2017, o equivalente à 160 bilhões de dólares sob gestão, o equivalente a aproximadamente 544 bilhões de reais. Muita coisa não é mesmo? Passado a limpo o CV do autor vamos ao que interessa: seu livro.

Considerei Principles uma obra completa, não só pela admiração pessoal que tenho por Dalio e sua importância na indústria financeira em geral, mas sim o fato de os ensinamentos postulados no livro serem aplicáveis a um público que vai além das dimensões do mercado financeiro.

Em bom português, o livro diz respeito a Princípios que o autor considerou fundamentais para ser bem-sucedido na sua vida e profissão. Essa generalidade e abrangência fazem deste livro um excelente guia para a vida. Resolvi compartilhar alguns pontos que julguei mais interessantes dos princípios de Dalio na vida e no trabalho com intuito de incentivar a sua leitura deste guia.

O que devemos levar de mais importante na vida

A primeira lição que aprendi com os princípios de vida do Mr. Dalio, é que devemos encarar a realidade como ela é e lidar com ela do melhor modo possível. Evite se sentir mais especial que os outros ou que, de alguma forma, as coisas funcionam de uma maneira diferente para você, entenda sua insignificância e, principalmente, diante daquilo que você não controla.

Ao encarar a realidade, faça ao modo de Ray Dalio: seja radicalmente transparente com suas opiniões e pensamentos e tenha a mente aberta ao aceitar feedbacks dos outros. Estes feedbacks nada mais são que a realidade clamando para que você a entenda.

Falhas e derrotas dolorosas ao longo do caminho são inevitáveis. O mais importante é entender seus erros e fazer deles o seu combustível para sua evolução pessoal, caso contrário seus erros podem arruinar você.

Este processo evolutivo pessoal pode ser descrito por meio dos 5 passos para conseguir o que você quer: 1) defina seus objetivos; 2) identifique e não tolere problemas; 3) diagnostique estes problemas; 4) diagrame mecanismos de como solucionar estes problemas e 5) execute as soluções propostas.

Ao longo de toda sua vida pratique a discordância construtiva. Para fazer isso, certifique-se de que você está cercado de gente muito boa e que ao mesmo tempo discorde de você e entenda profundamente estes pontos de discordância. Isso com certeza aumentará a probabilidade de se tomar a melhor decisão possível, além de ser um grande processo de aprendizagem mútua.

Pessoas são diferentes e por isso são complementares. Certifique-se que você entende as vantagens e as fraquezas das pessoas que te cercam e que as mesmas também conhecem seus pontos fortes e fracos: complementem-se.

O que devemos levar de mais importante no trabalho

O último ensinamento sobre os princípios para vida de Dalio, que fala sobre pessoas e como devemos nos unir e nos complementar, é a conexão que o autor faz para nos levar aos princípios ideais no trabalho. Mais do que nunca, Dalio acredita no poder dos grupos e, principalmente, quando estão unidos entorno de uma causa coletiva, que, por aqui, entenderemos como trabalho.

Para começar, se você quiser ser uma pessoa bem-sucedida em sua profissão, tenha certeza de que você conseguiu construir ao seu redor uma rede de indivíduos competentes e que estejam comprometidos com a missão da organização, além dos recursos financeiros investidos para atingir esta missão. Esta última é definida claramente por objetivos muito claros.

Para uma organização funcionar da melhor maneira, Dalio identifica três componentes importantes: um ideal de meritocracia bem definido, entregas a partir do trabalho executado que sejam profundamente relevantes e relações interpessoais significativas.

Este ideal de meritocracia, que para o autor é espinha dorsal de uma empresa, exige das pessoas três características: 1) os colaboradores da empresa devem expor claramente seus juízos e pensamentos mais honestos de um jeito que todos tenham acesso a estes pensamentos; 2) pratiquem a discordância construtiva para que se tomem as melhores decisões coletivas e 3) respeitem as discordâncias passadas já superadas e chanceladas pelas pessoas de maior reputação na empresa.

Outra dica valiosa: enquanto gestor, entenda o que você pode e o que você não pode esperar de cada pessoa que compõe sua equipe. Além disso, saiba o que fazer para se certificar de que as melhores ideias, ou aquelas que prevalecerem, são as melhores possíveis no seu processo de tomada de decisão.

Obviamente manter uma empresa por mais de quarenta anos já é um feito complicado. Manter uma empresa por 40 anos e que seja altamente bem-sucedida é tarefa para pouquíssimos.

Ler uma obra como esta nos faz refletir sobre nosso jeito de enxergar nossa vida e profissão. Ray Dalio é extremamente didático e objetivo em seus ensinamentos, além de ter sido extremamente generoso em ter compartilhado alguns de seus principais segredos. Gostaria de me despedir traduzindo a citação que, para mim, sintetiza da melhor forma todas as lições aprendidas no livro: “Cabe a você decidir o que quer tirar da vida e o que você quer retribuir a ela”.

Hugo Paixão Hugo Paixão

Analista de Research e Alocação

Bacharel em economia pela Universidade de Brasília e Planejador Financeiro CFP® certificado pela Planejar (Associação Brasileira de Planejadores Financeiros), atua há seis anos no mercado financeiro com passagens por instituições como Banco Modal e JGP Asset Management. Atualmente é analista de alocação da equipe técnica da Guide Investimentos.

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