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Quem quer ser professor no Brasil?

Professor é daqueles profissionais cuja responsabilidade transcende muito o cargo. Eles participam da formação humana e profissional de todas as pessoas – afinal, mesmo no homeschooling há a figura do professor. Ainda assim, apesar de sua notável importância, temos nessa profissão um atual desprestígio.

Dois dados do Anuário Brasileiro da Educação Básica de 2019 mostram a realidade complicada em que nos encontramos: 37,8% dos professores dos últimos anos do ensino fundamental não têm formação na área (29,2% dos docentes do ensino médio repetem a marca) e, em relação a salários, professores da educação básica recebem um salário que corresponde a menos de 70% daqueles do ensino superior (e cerca de 50% em relação aos profissionais das áreas de exatas e da saúde).

Tal desincentivo tem um resultado prático: segundo pesquisa da OCDE divulgada no ano passado, apenas 2,4% dos jovens brasileiros pretendem ser professores; pesquisa também do ano passado do Movimento Todos Pela Educação mostra ainda que 49% dos professores não recomendam a profissão devido aos baixos salários e a falta de atenção da área no país.

Assim como em qualquer campo profissional, a questão não se resume meramente ao salário. Se assim o fosse, bastaria aumentar sensivelmente os salários e teríamos uma educação em níveis muito mais adequados. O todo mostra um quadro muito mais amplo de itens a serem melhorados.

Se há um lado positivo em estarmos em péssima colocação em algo é o fato de que há países que, opostos a isso, estão em condições muito satisfatórias. Um desses países é Singapura, país que saltou entre ter a maioria de habitantes analfabetos para o topo das avaliações mundiais quando o assunto é a educação. Em entrevista ao Roda Viva poucos anos atrás, um dos responsáveis por essa mudança no país asiático elencou as duas maiores características capazes de gerar mudanças reais: a qualidade dos professores e a qualidade do líder da escola.

Não se trata de um caminho fácil a reversão do cenário desanimador de educação no Brasil. Isso decorre de dois fatores ásperos, mas tristemente presentes: a terceirização do papel de educadores das famílias para as escolas e o curto-prazismo de grandes planos de mudança.

Sobre o primeiro ponto, temos que se a escola existe para a instrução e mal consegue lograr êxito nessa árdua missão, imagine quando passa a ser também demandada em termos de direcionamentos amplos que anteriormente eram apresentados em âmbito familiar – como o respeito a quem está liderando um grupo, por exemplo.

Em relação ao segundo, temos em nosso país uma miríade de “planos de futuro” que mudam no espaço de tempo de um governante para outro. Educação é algo que se discute em termos de uma geração – 20, 30 anos -, não de uma metade de década quando muito. A ausência de um plano real de avanço (que foque mais em aspectos que vão realmente impactar a vida das pessoas, não a caprichos políticos de quem quer que seja) impacta diretamente nos resultados lamentáveis que temos. O Pisa, que é referência mundial nessa avaliação e verifica a situação de 70 países, mostra que somos o 59º em leitura, o 63º em ciência e o 65º em matemática.

A pergunta do título deste artigo é um questionamento sério nesta véspera de dia dos professores. O diferencial entre uma população mais educada e outra menos educada é fundamental e explica, dentre outros aspectos, a capacidade de um país de enfrentar seus problemas mais profundos e de ser mais produtivo. Assuntos como a formação dos professores e o encaminhamento como um todo da educação deveriam estar mais sujeitos aos efeitos positivos no longo prazo do que a direcionamentos curto-prazistas diversos. Apesar dos pesares, todo professor sabe do impacto que gera e do diferencial que é capaz de gerar na vida de quem é ou já foi seu aluno.

Um grande e fraterno abraço a todos esses que executam missão hercúlea neste país que, cá pra nós, apesar de colocar a pauta da educação como prioridade (até orçamentária), poderia estar fazendo muito mais pelo sistema educacional como um todo – principalmente quando falamos do longo prazo.

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