Posse de Bolsonaro: um pouco mais presidente do que candidato

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Neste dia primeiro de janeiro de 2019 tivemos a posse de Jair Messias Bolsonaro como presidente do Brasil. Um cerimonial com esquema de segurança nunca antes visto – justificado pelo atentado ocorrido ao então candidato – e um público considerável presente – segundo o Gabinete de Segurança Institucional, 115 mil pessoas.

Os discursos para o Congresso Nacional e ao povo após a passagem da faixa são sinalizações do que deve ocorrer nos anos de mandato. Seguindo o que anunciou em campanha, as pautas principais serão a da ética, do combate à corrupção, de uma guinada em pautas morais que, segundo Bolsonaro, estariam uivadas de ideologia de esquerda, e, por último, mas não menos importante, de uma mudança econômica no tocante a maior competitividade e redução do peso do Estado.

Diferentemente do modo como vinha se portando até as últimas semanas, quando já era eleito, Bolsonaro demonstrou um pouco mais de direcionamento ao que irá fazer como presidente e menos como o impressionante chamador de votos para si mesmo que demonstrou ser no pleito de 2018.

Demonstração disso é o fato – bastante positivo, é preciso ressaltar – de que os discursos abandonaram a toada do “nós contra eles” e abraçaram o tom do “vamos todos juntos rumo a um novo país”. Sim, com os direcionamentos que majoritariamente o presidente e seus eleitores concordam, mas saindo da retórica de nomear grupos que deveriam ser “varridos do país” ou algo do tipo.

Especificamente quanto ao campo econômico, reforçou como pontos principais a confiança, a abertura de mercados, o compromisso do governo em não gastar mais do que arrecada e a redução de regulamentação e burocracia sobre o setor produtivo. Elencou ainda o setor do agronegócio como sendo aquele que continuará desempenhando papel decisivo neste momento de retomada do crescimento.

O aceno ao setor produtivo é importante e tal mudança tem forte potencial positivo ao permitir, talvez finalmente, um choque de capitalismo ao Brasil. Em terras tupiniquins somos absolutamente acostumados a protecionismo, ao Estado sendo uma presença notável em toda e qualquer etapa de nossas vidas. Ao menos em discurso, caso não haja um novo estelionato eleitoral, veremos uma mudança sensível em relação a este fato sempre presente.

Provavelmente o leitor deve lembrar agora de algo importante: em quase 30 anos como congressista, Bolsonaro votou quase sempre em pautas estatizantes; seria possível uma mudança tão grande agora?

Pois é, o benefício da dúvida foi democraticamente concedido ao trigésimo oitavo presidente brasileiro acreditando nesta hipótese de mudança. Se atribuem “esqueçam o que eu escrevi” a Fernando Henrique Cardoso, denominado príncipe da sociologia que após seu governo passou a ser considerado um “monstro do neoliberalismo” dadas as mudanças promovidas, talvez este cometa raro de mudanças passe por aqui novamente. Nos resta torcer por um bom governo e para encontrar um Brasil realmente mudado daqui a quatro anos.

Feliz 2019 a todos!

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