Por que é tão difícil poupar dinheiro?

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Black Friday, Cyber Monday, Saldão de Natal. Esses são apenas alguns eventos de consumo realizados em novembro e dezembro que ganham cada vez mais adeptos no Brasil e no mundo. Além disso, as contas e boletos de todo mês sempre batem à porta, e os gastos vinculados ao cartão de crédito não tardam a chegar. Com toda essa estrutura de despesas, nós, brasileiros, temos uma dificuldade significativa de poupar recursos para emergências futuras ou mesmo para fins de aposentadoria e planos diversos (como viagens e filhos).

Mas por que é tão difícil poupar?

Há razões meramente econômicas para tal fato. Na verdade, há um conceito em economia que se chama ‘propensão ao consumo’. Esse indicador mede quanto aumenta o consumo quando aumentamos um pouquinho a renda de um indivíduo. Se a propensão é igual a 1, toda a renda que entra vira consumo; se está entre 0 e 1, o indivíduo gasta uma parte dessa renda adicional com o consumo e poupa o resto; por fim, se é igual a 0, toda a renda adicional vira poupança. Nas entranhas dessa salada de números e explicações, entra outro conceito também superimportante: os juros.

Para que um indivíduo deixe de consumir no momento atual e postergue essa decisão para um futuro próximo, ele espera ser remunerado por isso. O que ocorre é que o consumo hoje dá mais satisfação e prazer do que a longínqua satisfação desse mesmo consumo futuro. Dessa forma, a taxa de juros – ou melhor, as taxas de remuneração de investimentos – dão o balanço necessário para que os indivíduos tomem essa decisão de consumo. Esse é o motivo que taxas de juros muito altas (lembrou de como a Selic pode influenciar seus investimentos?) acabam prejudicando o consumo atual, assim como taxas de juros mais baixas incentivam o consumo e também o investimento na economia.

De qualquer forma, como foi dito anteriormente, nós, brasileiros, temos uma dificuldade imensa de guardar recursos no final do mês. A educação financeira vem avançando nos últimos anos nas escolas e entre os mais velhos como um meio de nos conscientizar sobre a importância de mantermos em dia planilhas de controle de gastos e monitorar a evolução das despesas. Há cada vez menos espaço no nosso orçamento para gastos indesejáveis, como por exemplo academias de ginástica com planos longos que não são utilizados em sua totalidade, lanches da tarde, consumo supérfluo, entre outras questões.

E veja, não estou defendendo cortar qualquer gasto, independentemente do valor. Vamos pegar o exemplo do cafezinho. Há pessoas que gastam até R$ 200 reais por mês com dois cafezinhos por dia, considerando 21 dias úteis. Esse seria uma despesa interessante de se cortar, certo? Depende. É preciso ver quanto da satisfação dessa pessoa é trazida por essa xícara de café (ou como os economistas gostam de falar, a utilidade desse café). O ponto é: não adianta sair cortando despesas por aí e ficar menos satisfeito com a sua própria vida. Logo, é preciso balancear o prazer e satisfação do gasto realizado com o valor despendido nele. Sempre tenha essa ‘equação mental’ quando for analisar o seu próprio orçamento familiar.

Como agulhas no palheiro, o desafio é separar as despesas que realizamos quase que de forma desapercebida, daquelas que nos satisfazem de fato, e moldam o nosso dia-a-dia. Os investimentos realizados hoje (ou o consumo adiado para o futuro) nos dá previsibilidade e nos dão a chance de realizarmos grandes sonhos, que não são obtidos por meio do consumo atual. Reservar uma parte do orçamento doméstico para investimentos é um desafio intenso, mas a recompensa futura vale a pena. Somos um país que poupa, mas não investe.

 

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