Por que as ações sobem quando os juros caem?

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É tiro e queda! Quando entramos num período de queda dos juros, a bolsa de valores e as suas principais ações começam a ter desempenho melhor do que em momentos anteriores. Mas existe alguma lógica financeira ou econômica nesse fato?

Primeiro de tudo é interessante ver o comportamento dessas duas variáveis (juros e ações) ao longo do tempo. Para representar essas duas variáveis, pelo lado das ações, foi utilizado o índice Ibovespa, que é o mais importante indicador do desempenho ponderado das cotações das ações negociadas na B3 – Brasil, Bolsa, Balcão. O índice é ponderado pelo volume negociado nos últimos meses. Já pelo lado dos juros, foi utilizado a taxa SELIC meta, que é o valor determinado na reunião do COPOM, que ocorre a cada 45 dias e conta com a participação do presidente do Banco Central e de seus diretores. A taxa SELIC, por sua vez, serve de base (piso) para a determinação de todas as outras taxas de juros da economia, como a do rotativo do cartão de crédito, crédito pessoal, etc. Assim, foram coletadas informações desde jan/2000 para os dois indicadores e o resultado é o gráfico abaixo:

Fonte: Banco Central e Yahoo Finanças.
Nota importante: analistas de mercado normalmente comparam o índice Ibovespa com a taxa paga num título longo do governo brasileiro (normalmente de 10 anos), uma vez que ambos os investimentos seriam de ‘longo-prazo’. Para ver esse comparativo, ver esse gráfico aqui.

Não muito tempo atrás, era comum se deparar com a taxa SELIC variando na faixa de 20 – 25 % ao ano. Impensável hoje, mas bastante justificável para o contexto da época, que observou variações bruscas no câmbio (99-2000) e indefinições eleitorais (2002), ameaçando os índices inflacionários, que vinham de baixas expressivas desde o Plano Real (1994). Pelo lado das ações, o índice Ibovespa avançou da faixa de 10 mil pontos, em 2002, para a inédita faixa dos 90 mil pontos, com trancos e barrancos no meio do caminho, como pode se ver no gráfico.

Mas há outro elemento que pode ter passado despercebido por quem lê. Há 5 retângulos em rosa claro no gráfico, que delimitam momentos em que a taxa SELIC caiu de forma contínua, por meio de cortes sistemáticos de juros promovidos pelo Banco Central. Notem como em quase todos os casos a bolsa tem movimento reverso e as principais ações do índice sobem no período.

Há uma razão simples para isso: a bolsa (renda variável) é vista como uma alternativa ao ganho via juros (renda fixa). Imagine um cenário hipotético em que os juros estivessem bem mais altos, na casa dos 20% a.a. Para um investidor médio, pode ser confortável deixar seus recursos em títulos públicos e CDB, que remuneram próximo desse valor e ficar com um risco bem mais baixo do que se investisse em ações, no qual o valor a receber é incerto por definição. À medida que as taxas de juros recuam em uma dada economia, o mercado de ações e derivados (derivativos, opções, etc.) começa a atrair mais investidores, pois os juros já não remuneram como antigamente (que bom!).

Esse é um dos motivos pelos quais os mercados financeiros americano e europeu encontram-se num estágio de desenvolvimento superior ao brasileiro. Temos uma ficha corrida extensa no que se refere à juros astronômicos e governo pagando taxas gordas para os investidores, que acabaram não se interessando pela renda variável, como é o caso do mercado de ações. Contudo, o cenário atual e de médio-prazo é convivermos com taxas de juros menores (que bom! [2]) e com a bolsa de valores com retornos mais atrativos ao investidor.

Agora, basta ter confiança para investir nas ações. Veja a análise de estratégia fundamentalista para investir em ações.

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