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Plano Real e Inflação: distorções no sistema de preços

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Na última segunda-feira, primeiro de julho de 2019, o Plano Real completou 25 anos. Esse feito histórico para a sociedade brasileira, comentado por Gustavo Franco (um dos formuladores do plano) no vídeo abaixo, marcou o fim do problema inflacionário que tanto assolou o país até meados da década de 1990.

O aumento generalizado e persistente do nível de preços — uma definição comum para o problema inflacionário — é responsável por distorcer as relações econômicas mediadas pelo sistema de preços. A importância desse sistema, aliás, pode ser compreendida através dos seguintes aspectos:

Os recursos são escassos, trata-se de um princípio fundamental da economia. Aquilo que chamamos de mercado é composto, basicamente, por compradores e vendedores. Além disso, esses papéis podem ser intercambiáveis, o comprador pode se tornar um vendedor num determinado contexto e vice-versa.

Consequentemente, podemos compreender o sistema de preços como uma forma medir a escassez das coisas. Num dia chuvoso, por exemplo, as pessoas querem comprar guarda-chuvas, logo, eles se tornam escassos. Portanto, o preço do guarda-chuva sobe. Seguindo o mesmo raciocínio, num dia ensolarado, o preço do guarda-chuva cai porque as pessoas não demandam esse produto, ou seja, ele é disponível em abundância.

Sendo assim, é possível dizer que o pleno funcionamento do sistema de preços transmite, para compradores e vendedores, informações a respeito da escassez ou abundância de recursos. Contudo, a inflação distorce essas informações e afeta até mesmo a transmissão das mesmas.

Não era raro, no Brasil pré-Real, que as pessoas recebessem seus salários e logo fossem às compras. Afinal, os preços eram remarcados quase que diariamente e a mínima demora encolhia o volume contido no carrinho do supermercado ao final das compras. A disputa entre remarcadores (funcionários responsáveis pela atualização dos preços) e consumidores (que chegavam a remover as marcações de preço, revelando os preços mais baixos de alguns dias atrás) era acirrada.

Entretanto, um dos mais curiosos efeitos da distorção no sistema de preços, causada pela alta inflação brasileira na época, pode ser ilustrado pelo seguinte exemplo:

Um marido decide, no pagamento, levar sua esposa ao restaurante para almoçar. Chegando lá, percebe que os preços do cardápio foram remarcados naquele mesmo dia. O prato da casa, o tradicional virado à paulista, estava um pouco caro. Buscando uma opção mais em conta, o marido encontra o prato perfeito para o próprio bolso: lagosta com coco fresco na brasa. Assim, o casal teve um almoço inusitadamente luxuoso.

Porém, como é possível ser um prato preparado com lagosta mais barato que o virado à paulista? É simples: com taxas de inflação exorbitantes e reajustes de preço diários, os funcionários do restaurante deixaram de remarcar o valor daquele prato, afinal, ninguém pedia lagosta. Trata-se de um exemplo inspirado em relatos reais e que mostra tamanha distorção econômica, felizmente, solucionada pelo Plano Real. A inflação é assim: num dia virado à paulista e lagosta no outro. Num terceiro, não há virado, lagosta e nem sequer dinheiro. Que nunca esqueçamos o porquê do Plano Real!

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