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PIB: O tamanho da recessão brasileira de 2015-16

Ainda hoje há quem questione a gravidade da mais recente crise econômica brasileira. Quando te falarem que a crise de 2015-2016 não foi severa, mostre o gráfico abaixo: Uma queda acumulada de 8% nos dois anos no indicador do Produto Interno Bruto (PIB), fato jamais observado em toda a série histórica, desde 1901. Isso mesmo, se analisarmos quase 120 anos de série histórica de produção interna de bens e serviços, nenhum resultado foi tão catastrófico para o país do que o biênio 15-16.

Fonte: ipeadata.

Um dos aspectos mais interessantes do gráfico é como ele conta boa parte dos últimos acontecimentos históricos observados no Brasil, citando alguns: (i) a grande crise financeira global de 1929, iniciada com a quebra da Bolsa de Nova Iorque, que reflete no Brasil em 30 e 31; (ii) as fortes recessões de 1981 e 1983, resultado de choques internacionais no preço do petróleo e forte inflação nos EUA, mas também de desarranjos internos relacionados ao aumento da dívida pública e início do período inflacionário; (iii) o resultado assustador de 1990 – o pior da série histórica em um ano -,  após o Plano Collor que confiscou a poupança dos brasileiros, criando um cenário de insegurança jurídica e completo caos que fez a economia parar naquele ano; (iv) e por fim, a recessão dos anos 15-16, consequência de diversas políticas adotadas nos anos anteriores, como desequilíbrios fiscais, estratégias econômicas equivocadas, que já foram largamente debatidas por aqui.

As consequências deixadas pela grande recessão de 15-16 são sentidas até hoje, tendo em vista que, como mostra a sequência do gráfico, o PIB dos anos seguintes (17-18) não foi nada animador: ambos na ordem de 1% ao ano. Para 2019, mais uma frustração. Nem a troca de governo promovida na eleição de out/18 foi suficiente para elevar a confiança e investimentos para fazer a economia crescer. Se antes, no início do ano, a projeção era crescer pouco mais de 2%, a realidade se impõe com uma péssima notícia: o crescimento esperado é um pouco inferior ao observado nos dois anos anteriores, na ordem de 0,85%.

A queda foi tão ampla que demorará ainda alguns anos para que o Brasil volte para condição que estava antes do início da recessão. Na realidade, estima-se que apenas em 2021 ou 2022 o PIB voltará ao patamar do período pré-recessão, sendo que o Brasil tem mostrado velocidade inferior de recuperação comparado a outras nações que passaram por situação semelhante. Isso sem falar em outros indicadores que são até mais sentidos pela população em geral, como a taxa de desemprego, que teima em ficar na casa dos 12%, sem demonstração de queda significativa.

Houve quem levantasse previsões de um crescimento vigoroso e uma recuperação fantástica após a saída desta mais recente crise. A justificativa foi, basicamente, de que “isso sempre aconteceu”. Dessa vez, como aqui é Brasil, até a regra foi questionada. Os motivos são diversos, mas todos caminham para o fato de que políticas anticíclicas tradicionais (tais como ampliação de crédito para consumo ou gastos governamentais) estão esgotadas e, resta então, apenas o investimento (de prazo mais longínquo) para fazer a economia girar.

Temos então uma oportunidade ímpar em colocar as coisas no lugar e ajeitar a casa no que tange à economia. Com Temer, a volta do realismo fiscal e algumas reformas; com Bolsonaro, uma agenda positiva se impõe, ao menos na economia. Mas tenham claro: um período considerável de políticas econômicas sérias precede qualquer avanço que se queira considerar realmente sustentável. Ou, em palavras mais diretas: falta ainda muita seriedade para conseguirmos dizer que saímos dos clássicos voos de galinha.

 

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