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Novo grande problema de 2020: petróleo desabando

Entramos em 2020 pensando em qual fim teria as tensões comerciais entre China e Estados Unidos. Acordo assinado ainda em janeiro (mesmo que uma fase inicial, ainda dependendo de outros arranjos). Pronto, sorrimos felizes e o bullmarket continuava. Ledo engano. Temos entre alguns dos leitores, certamente, até saudosistas dos tempos em que um acordo comercial conseguiria encaminhar as coisas adequadamente.

Pois bem. O ano que já se mostrava atípico, dados os efeitos da paralisação inicialmente chinesa e agora de diversos outros locais no mundo em função do novo coronavírus (covid19), agora se vê diante de uma nova grande complexidade: em reunião da OPEP, a organização dos maiores produtores de petróleo do mundo, não houve acordo entre russos e sauditas para controle de oferta. Resultado prático? Não executarão ações diante do preço que já vinha caindo desde o início do ano e, adicionalmente, iniciaram uma guerra de preços entre si e não irão controlar a produção (para que o preço torne a se elevar).

Esse desequilíbrio todo mostrou sua conta logo no domingo. Considerando a cotação do Petróleo Brent (britânico), na noite deste domingo (08/03) a cotação caía quase 25%, com o barril nas proximidades de US$34; no caso do Petróleo WTI (norte-americano), a queda superou 25,5% e o barril esteve nas proximidades de US$30. Apenas para ter uma ideia do tamanho dessa queda, os preços de Brent e WTI começaram 2020, respectivamente, em US$66,26 e US$61,30. Tal queda advinda do não-acordo do final de semana foi a maior desde 1991 e a maior neste século (superando o ataque de 11 de setembro de 2001). Uma imensa e relevante queda.

Por qual motivo isso entra no radar como sendo o grande problema que temos em 2020 até agora? Porque dada a desaceleração que já vinha ocorrendo no mundo desenvolvido da virada do ano pra cá somado aos efeitos de redução ainda maior com as paralisações do coronavírus, com mais esse efeito negativo sobre essa commodity tão relevante na economia fica improvável prever que as bolsas consigam ter poder de reação – especificamente no caso dos EUA, porque isso irá no final enfraquecer a indústria do petróleo por fraqueamento (o shale oil), que precisa de preços mais elevados para ser financeiramente viável, sem contar a participação relevante da indústria do petróleo em termos de geração de crédito e empregos por lá, que certamente será afetada com essa diminuição de preços.

Segundo análise da Morgan Stanley, é possível que esta guerra interna na OPEP e sua consequente queda vertiginosa nos preços do petróleo seja problema ainda maior do que o coronavírus. Sob a ótica microeconômica da Teoria da Firma, podemos visualizar o motivo: quando há a formação de um cartel para decidir produção ou mesmo os preços diretamente, a figura mais importante para a continuidade do esquema é a confiança; isso porque, caso um dos agentes decida deixar o cartel, iniciar-se-á uma guerra de preços que levará a zero todo o excedente que existia por parte dos participantes deste. Com esse elo de confiança quebrado, ao menos por enquanto, apenas o que se pode esperar é uma guerra de preços com efeitos consideráveis para o resto do mundo.

Uma pergunta que pode ser levantada pelo leitor é: como a Petrobras pratica precificação interna de acordo com os preços internacionais do petróleo, na prática veremos os combustíveis terem seus preços reduzidos por aqui? Essa não é uma pergunta trivial, mas podemos ter uma dica do que acontece olhando os dados do petróleo em US$ e do dólar. Utilizando o Brent como referência:

 

  • – 05/01/2020 – Petróleo Brent em US$68,42 e dólar em R$4,06 (em R$ então, 277,79)
  • – 08/03/2020 – Petróleo Brent em US$36,05 e dólar em R$4,63 (em R$, 166,55).

 

É possível verificar que o efeito da queda do petróleo (especialmente dessa mais recente) é maior do que a alta do dólar. Isso sugere que os preços que vemos na bomba de combustível devem diminuir para diesel e gasolina.

De fato, como já discutimos aqui nesta coluna e iniciamos o artigo falando, uma desaceleração no mundo desenvolvido já estava no radar desde o ano passado. Seja por meio de uma forte recessão ou mesmo de um soft landing, a expectativa era mesmo que pudéssemos observar uma redução no crescimento neste ano. Mas o que fatores como a guerra comercial entre EUA e China (que agora parece nem existir mais, mesmo que não esteja concluída), o coronavírus e o desabar dos preços do petróleo fazem é, na prática, acelerar a aterrissagem. E é nessa queda vertiginosa que está o grande perigo de 2020.

Se há um conselho prudente, nessa analogia aérea, este seria: mantenham os cintos apertados, porque a turbulência está longe de cessar.

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