Petrobras: quebrar ou arrumar para vender?

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Mesmo após a greve dos caminhoneiros e o acordo do governo com os mesmos, a Petrobras ainda continua com a política de preços com reajustes diários. E não é do diesel, afinal de contas esse era um ponto do acordo com os grevistas, mas sim da gasolina. O que está por trás disso? Uma quebra proposital da empresa ou simples arrumação para vender?

Com a greve finalizada, ficou acertado que o governo, apesar de afirmar não influir na política “independente” de preços da Petrobras, garantiu o congelamento do preço do diesel por 60 dias. Este período acabou no início de agosto, mas já se transformou em “até 31 de dezembro”. Em outras palavras: pelo menos de lidar com este problema em específico Temer escapou, o abacaxi ficou com quem sentar na cadeira presidencial em janeiro de 2019.

Com a chegada de Pedro Parente, a empresa começou a reavaliar projetos não tão produtivos e a vender ativos não estratégicos. Alguns mais exaltados, diante disso, decidiram apontar que em breve poderíamos observar “danos do golpe a essa empresa do povo”. Parente acabou saindo logo após o fim da greve dos caminhoneiros, dada a pressão enfrentada, mas saiu deixando a empresa com um valor de mercado cinco vezes maior. O que não saiu de cena foi a teoria de que a Petrobras estaria em vistas de ser vendida, o que mudava agora era o foco de “já que está quebrada” para “agora que está valorizada”.

Na semana passada, quando da divulgação do resultado do segundo trimestre de 2018, a Petrobras mostrou seu maior lucro trimestral desde 2011: R$10,07 bilhões, além do fato da empresa pagar dividendos pela primeira vez também desde 2011. Com isso, reverte o complicado ciclo de anos de prejuízos e quem sabe abre as portas a um novo momento para a tão achacada empresa.

Parente não está mais na empresa, mas seu trabalho fez com que a empresa mudasse a opinião de muitos analistas sobre suas reais capacidades de crescer no longo prazo. Ainda há uma grande dívida corporativa, mas a atenção maior para projetos que possam ser mais eficientes e a redução de recursos a outros que, como provam algumas investigações em curso, eram orientados pela ‘propinocracia’ ou mesmo por ideologia dos ‘países amigos’, permitiram que a empresa pudesse melhorar muito seu valor. Os lucros e a valorização de mercado são a demonstração prática disso.

A gasolina

O preço do diesel segue congelado até o final de 2018, mas a gasolina segue sendo reajustada conforme a política diária. Você que abastece com gasolina está ajudando a pagar o subsídio ao caminhoneiro – e ao detentor de carros de passeio a diesel. Em outras palavras: a situação da empresa está melhor agora que ela se atenta ao que é mais eficiente para si mesma (e não a projetos de poder do governo anterior).

Fica o questionamento para a turma da sempre presente ‘conspiração do malvado capital estrangeiro que quer acabar com o Brasil’: vem por aí uma onda de sucateamento da Petrobras para que o tio Sam compre barato, ou essa valorização toda que observamos vai continuar porque este mesmo tio Sam é um trouxa que adora pagar caro quando quer demonstrar seu imperialismo galopante?

Enquanto alguns se perdem nas teorias, a Petrobras segue em seu esforço – por ora, reconheçamos, muito bem-sucedido – em recuperar-se da hecatombe que a fez rumar ao abismo poucos anos atrás.

Lembremo-nos da frase atribuída a John D. Rockefeller: O melhor negócio do mundo é uma empresa de petróleo bem administrada. O segundo melhor é uma empresa de petróleo mal administrada.”

 

 

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