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Petrobras muda de novo: o xadrez na greve dos caminhoneiros

A não ser que você estivesse em outro planeta, sabe o que aconteceu em terra brasilis nos últimos dez dias de maio de 2018. A greve dos caminhoneiros deu uma amostra grátis dos anos 1980 a quem nunca viveu desabastecimentos e busca acirrada por bens de consumo básicos.

Dentre as motivações principais desta greve, a política de preços da Petrobras estava no alvo: por acompanhar a paridade internacional de preços e, tanto dólar quanto petróleo terem subido consideravelmente, a alta dos preços nos combustíveis foi tamanha que os caminhoneiros alegaram falta de previsibilidade para prestarem seus serviços. Como resultado, primeiramente uma queda de 10% no valor, depois outra de R$0,46 via corte de impostos e, no fim das contas, um congelamento até o último dia de dezembro.

2019 chegou e, por uma nova alta observada tanto no dólar quanto nos preços do petróleo – esta que está se refletindo novamente em subida dos preços dos combustíveis -, estão sendo monitoradas novas movimentações grevistas.

Assim sendo, a Petrobras mudou novamente sua política de preços do diesel: a partir de agora, os reajustes ocorrerão com no mínimo 15 dias de diferença entre um e outro e, para aliviar a flutuação de preços que se observa diariamente, a empresa seguirá utilizando mecanismos de proteção (hedge) para manter a paridade de preços internacionais.

Se isso evitará uma nova greve dos caminhoneiros é difícil afirmar, principalmente porque, pelo que observamos no ano anterior, o movimento parece mais espalhado do que comandado por alguma liderança ou grupo de lideranças (impressão reforçada a cada novo “o governo fechou com as lideranças da greve e ela irá acabar hoje” com aviso em seguida de que “na verdade ela segue em frente”). Porém, temos aqui que a empresa acertou na medida por pelo menos dois motivos.

Primeiramente, o acerto se dá porque a empresa mostra que está interessada em manter suas margens e a paridade internacional de preços ao mesmo tempo que apresenta uma estabilidade maior de preços ao consumidor final de diesel – que é majoritariamente composto pelos caminhoneiros. Uma antecipação a um possível movimento grevista em relação ao aspecto tido como sendo dos mais relevantes mostra que houve aprendizado com o ocorrido do ano anterior.

Em segundo lugar, se a capacidade de articulação, que com Temer já foi bastante questionável – dada a demora para colocar a questão nos eixos de quase meio mês -, a de Bolsonaro ainda está sendo colocada a prova. Não que se duvide da capacidade do presidente; mas, se em quase três meses concluídos de governo ele ainda questiona publicamente o que deveria ser feito para articular algo urgente como a reforma da previdência (que é discutida há pelo menos duas décadas, tempo inferior ao que ele passou como membro da casa legislativa, o que deveria indicar ao menos um conhecimento básico a respeito dessa articulação necessária), é temerário pensar que dependa exclusivamente dele ou de sua ordem para uma finalização de um novo evento como esse.

Lembrando que o próprio, durante a greve, ora apoiou, ora pediu que fosse encerrada, conforme a conveniência que observava mais adequada.

A Petrobras agiu de maneira inteligente e jogou adiante no xadrez da possível nova greve dos caminhoneiros. Como algumas articulações tratam de um início provável no dia 30, em breve descobriremos se funcionou ou não.

 

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