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Panetone, presépio, Selic a 4,5% e 13º Salário – o que fazer?

Papai Noel no shopping, panetone (com frutas cristalizadas!), músicas natalinas… Estamos naquela época do ano que todo mundo adora, não tem como negar aquela pontinha a mais de alegria que contagia a todos em dezembro. E, claro, não vamos esquecer da melhor parte do final do ano – o tão esperado 13º salário (ou a segunda metade deste, para alguns).

Ir às compras pode ser a primeira coisa que vem à cabeça ao pensar naquele dinheirinho extra na conta, afinal, talvez ainda tenha ficado faltando aqueles dois últimos presentes de amigo secreto, que até podem merecer mais do que uma “lembrancinha”. Mas fica aqui uma dica que você irá agradecer quando passar a ressaca do ano novo e você se deparar com mais um ano de trabalho pela frente: criar o hábito de investir o seu 13º salário todo ano é uma excelente maneira de colher bons frutos adiante.

Diante, então, da pergunta de onde investir o valor do seu 13º salário, você irá se deparar com uma realidade nunca antes vivenciada no Brasil. Pela primeira vez em nossa história econômica (até onde tem-se registro), o brasileiro encara uma taxa de juros real próxima a 1,5% ao ano. Isso mesmo. Estamos hoje mais perto dos juros reais negativos observados no mundo desenvolvido do que de alguns vizinhos latino americanos ou mesmo de nossa história recente, com juros na casa dos dois dígitos e títulos públicos ofertando tais taxas exorbitantes.

E como isso muda seus investimentos, ou como você pensaria em fazê-los, considerando tanto um perfil mais conservador, quanto mais arrojado? A título de exemplo, com uma taxa de juros de 14,25% ao ano (o valor da taxa Selic na maior parte do ano de 2016), um investimento inicial de R$1.000 levaria um pouco mais de 17 anos para atingir o valor de R$10.000 (em termos nominais). Hoje, a mesma aplicação inicial levaria um total de 52,3 anos para atingir o mesmo valor em termos nominais, à taxa de 4,5% ao ano (atual Selic). Pois é! Uma bela diferença.

É importante lembrar que o movimento de redução da taxa Selic observado hoje é reflexo de um relevante amadurecimento da política monetária no Brasil, além de um importantíssimo progresso na saúde fiscal do país. Notadamente, tal dinâmica foi capaz de permitir uma queda estrutural da inflação (e do poder de compra de todos nós), e a consequente queda da taxa Selic. Menores juros, por sua vez, estimulam o investimento produtivo, o consumo sustentado e o desenvolvimento do mercado de capitais – todas excelentes fontes de crescimento econômico de longo prazo.

Nesse sentido, não é hora de lamentar a queda dos juros. Muito pelo contrário – devemos celebrar o que está sendo chamado de “novo normal”, ou até mesmo o caminho para a civilidade dos juros no Brasil. Mas é hora de mudar a maneira como investimos, mesmo que seja começando pelo 13º salário.

O novo cenário indica que a diversificação será mais importante do que nunca para qualquer investidor brasileiro que busque uma rentabilidade mesmo que moderada de maneira a manter seu poder de compra no longo prazo ou aumentar seu patrimônio. Nesse contexto, opções como fundos imobiliários (de renda fixa ou variável), fundos de ações, ou até mesmo fundos multimercado, para os mais arrojados, devem entrar no até então seleto mix de alternativas à boa e velha poupança – sempre respeitando o prazo e o perfil de cada um, sem dúvida (conhecer seu perfil de investidor é fundamental).

É claro que, ao pensar no 13º salário, pode parecer exagero uma visão de alocação demasiado complexa, ou até mesmo de longo prazo. Afinal, estamos falando de apenas um mês a mais de salário. Porém, é aí que muitos se enganam, pois como diria o ditado: de grão em grão, a galinha enche o papo. E de ano em ano, aquilo que parecia uma módica quantia, cujo destino poderia ser lembrancinhas de amigo secreto ou (mais) panetones, pode ajudá-lo a realizar algo maior no futuro, como comprar um automóvel, fazer uma viagem, ou quem sabe comprar muito mais do que uma lembrancinha para o “seu eu” de amanhã!

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