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A Oi é uma daquelas empresas cuja história se confunde com a do seu próprio país de origem. Idealizada para ser uma ‘supertele’, nasceu da fusão da Telemar e a Brasil Telecom, e contou com bastante recurso público, como foi o caso da participação societária do BNDESpar, linhas de financiamento a juros subsidiados oferecidos pelo BNDES e Banco do Brasil, além de participações financeiras consideráveis de fundos de pensão de empresas públicas, do Banco do Brasil (Previ), Caixa (Funcef) e Petrobrás (Petros). Eleita uma ‘campeã nacional’, nos moldes dos governos desenvolvimentistas de Lula II e Dilma I, a Oi conseguiu dinheiro barato e tempo para fazer frente aos seus competidores.

A Oi teimava em ficar apenas na quarta posição na telefonia móvel e o mercado de telefonia fixa minguava com um todo. A operação de fusão com a Portugal Telecom em meados de 2013 foi um total fiasco, tendo apenas adicionado acionistas que não viam o resultado melhorar. Além disso, operações de compra de empresas estrangeiras, como foi o caso da Unitel em Angola, regados à recurso público, adicionaram dívida para a companhia e diversos problemas judiciais, que queimavam caixa.

E os tão esperados resultados positivos não vieram. Desde 2014, conforme mostra o gráfico abaixo -, a Oi destrói valor a uma velocidade impressionante. Tirando o efeito positivo em 2018 provocado pela aprovação do processo de Recuperação Judicial, o resultado operacional dos outros anos é uma verdadeira catástrofe corporativa. As ações da empresa (OIBR3) anteciparam a derrocada financeira da companhia e já iniciaram queda livre a partir de 2013/2014, chegando aos incríveis (e impensáveis) R$ 1,00 da última segunda-feira (19/08/2019).

*Resultado dos últimos 4 trimestres. Fonte: ADVFN (https://bit.ly/2HfP91f)

Sobre a história da companhia, podemos dizer que a Oi faz parte de algo que podemos chamar de “processo de melhoria notável que poderia ter sido ainda melhor”. Esse processo é a privatização das telecomunicações no final dos anos 1990, durante o primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso. Embora tenha aumentado enormemente a base telefônica do país (de cerca de 17 milhões de linhas fixas e menos de 5 milhões de móveis para atuais quase 230 milhões de linhas móveis), o desenho da desestatização deixou a desejar porque permitiu concentração de mercado posterior.

Em processos de desestatização, o Estado deixa de ser o provedor para ser o regulador dos mercados. Ideia positiva, dentre outros motivos, porque a competição permite benesses que o setor público, com seus monopólios, estava longe de conseguir. Porém, no momento da venda das empresas públicas para a iniciativa privada, permitiu-se a possibilidade de concentração de mercado em poucas empresas. Por mais que mercados que demandam economia de escala acabam tornando-se concentrados, um desenho que encaminhe uma maior pulverização poderia amenizar o efeito de perda de excedente dos consumidores aos produtores.

Analisando com olhar mais atento, muitos setores que fizeram essa transição do público ao privado nos anos 1990 passam pelo mesmo problema hoje. A expectativa é de que o desenhar das desestatizações do atual governo seja mais adequado e que possamos ver cada vez menos tais situações.

Na Oi, a união de más medidas de gestão com uma quase manutenção de status público – dada a participação de empréstimos e capital públicos, além da própria intenção de se ter uma tal Supertele, focando mais em “investimentos amigos” do que investimentos rentáveis – faz com que a empresa seja um notável exemplo de fracasso retumbante.

E os números mostram isso, sem nenhuma sombra de dúvida. Pobre dos acionis… credores da companhia.

 

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