O triste fim do horário de verão brasileiro

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Há vários assuntos polêmicos no Brasil: política, futebol e outros temas mexem com as nossas emoções de um jeito intenso, provocando as mais diversas reações. Atualmente, mais um tema entrou no rol das discussões acaloradas no ambiente de trabalho, casa e boteco: o fim do horário de verão, anunciado neste mês pelo presidente Jair Bolsonaro, após estudos realizados pelo Ministério de Minas e Energia. Embora este assunto tenha entrado numa discussão bastante politizada – para variar -, os estudos que investigavam a eficácia do horário de verão já vinham sendo realizados pelo governo Temer.

Mas afinal, qual seria o motivo para dar fim ao adiantamento dos relógios em 1 hora na época de verão nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil? De forma resumida, a resposta está na (ii) mudança de hábitos e no (ii) avanço da tecnologia. Quanto ao primeiro ponto, pode-se mencionar a maior utilização de aparelhos de ar-condicionado, por exemplo, que não coincidem necessariamente com os antigos horários de pico no uso de energia (manhã e à tarde). Além disso, o maior tempo no trânsito / deslocamento na volta para casa reduz o tempo de aproveitamento da luz solar, que está ligado à economia de energia esperada no período. O segundo ponto está ligado ao primeiro. Antes vilãs das contas de luz, as lâmpadas ‘gastonas’ incandescentes foram aos poucos substituídas por tipos mais eficientes (tanto no quesito da iluminação quanto do gasto energético), como é o caso das lâmpadas fluorescentes e modelos de LED, que também aparecem na iluminação pública em alguns municípios brasileiros.

E como costumam dizer por aí, a verdade está nos dados. E nesse quesito, os dados não mentem. A economia de energia vem caindo ano a ano desde 2013, conforme demonstra o gráfico abaixo:

Fonte: Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

Mesmo em 2013, quando a economia foi superior a R$400 mi ou 2.565 megawatts, esse valor é menos de 5% do consumo total do período. Esse percentual, assim como o valor equivalente em reais, também caiu consideravelmente nos anos seguintes.

Desse modo, “o horário de Verão deixou de produzir os resultados para os quais essa política pública foi formulada, perdendo sua razão de ser aplicado sob o ponto de vista do setor elétrico”, assim como afirmou em nota o Ministério de Minas e Energia, após a suspensão a partir de 2019. Para quem gosta de adiantar o relógio, e assim aproveitar a luz do dia por mais tempo, ainda há uma esperança: se olharmos em retrospectiva histórica, o horário de verão sofreu diversas interrupções ao longo do tempo desde sua criação no longínquo governo Getúlio Vargas, em 1931.

De qualquer forma, o próprio governo disse, na mesma comunicação, que irá reavaliar a volta do horário em momento oportuno, para desespero de outros tantos, que não querem dormir mal ou acordar ainda no breu para ir ao trabalho, escola ou faculdade.

Se no Brasil é tão difícil achar concordância em determinado assunto, com o horário de verão, não poderia ser diferente.

 

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