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O que você pode aprender com Cristiano Ronaldo?

Semana passada foi divulgado um estudo que mostra que o Cristiano Ronaldo ganha mais dinheiro postando no Instagram do que jogando futebol.

É incrível, mas é verdade.

CR7 ganha, por ano, cerca de $ 34 milhões de dólares para jogar bola. É muito dinheiro, sem dúvida! Já, para postar anúncios em sua conta no Instagram, botou no bolso, no ano passado, pouco mais de $ 47 milhões.

Para quem já fez as contas, o carque (CR7 maior que Messi) ganha 40% mais como digital influencer. Cada anúncio rende para ele quase $ 1milhão de dólares. É claro que isso só é possível por sua carreira como atleta e a imagem pública muito bem cultivada ao longo dos anos.

Com essa composição, Cristiano Ronaldo consegue dobrar sua renda com uma atividade além de seu “modesto” ganha-pão base.

Mas o que você pode aprender com isso?

Bem, se você não nasceu com o dom de jogar futebol, certamente não é este o conselho. E mesmo que tivesse nascido, as chances estão contra você. Como já mostrei aqui, 80% dos jogadores profissionais no Brasil ganham menos de R$ 1.000,00 por mês em 2015. Apenas 2,5% dos profissionais ganhavam mais que R$ 10 mil por mês.

Também não é virar digital influencer. Não tenho os números, mas acredito que a relação de proprietários de canais no Youtube e contas no Instagram (com fins comerciais) versus pessoas que ganham dinheiro com isso seja até menor que a dos jogadores de futebol. E, como no caso do CR7, boa parte dos que ganham dinheiro devem ter outras carreiras de sucesso que impulsionam suas vidas digitais.

O que podemos aprender e que não é nenhuma novidade, pois é um assunto recorrente em diversos livros de finanças pessoais, é o fato de que todos devemos procurar diferentes fontes de renda e que não dependam diretamente de nossa atividade principal.

Imagine um cenário extremamente simplista, mas que funciona bem para fins didáticos, no qual o CR7 se machuca e não pode mais jogar futebol. Sua receita, neste campo, iria a zero num curto espaço de tempo. Mesmo com contratos em vigência, um dia eles acabariam e não seriam renovados.

No curto prazo, ele teria a módica quantia de $ 47 milhões, vindas dos anúncios, para pagar as contas de casa. Pensando a longo prazo, ele já teria uma fonte de renda para os anos pós aposentadoria. Isto é algo muito comum para atletas: vários deles vivem por décadas e décadas por conta de sua imagem e glórias passadas. O Pelé é um dor maiores exemplos disso.

Trazendo isso para nossa realidade, principalmente para quem é assalariado, ter fontes de renda descorrelacionadas de seu salário é muito importante, pois o jogo do assalariado é binário. Todo mês você tem X e um custo de vida Y. Se um dia você perde seu emprego, você passa a ter –Y (Y negativo). Ter uma renda adicional pode te ajudar a navegar períodos turbulentos ou, melhor ainda, te ajudar a poupar mais para seu futuro.

O que fazer? É importante que busque algo com as seguintes características: 1) não conflite eticamente com seu trabalho atual; 2) não conflite com suas horas trabalhadas; 3) não tire seu foco de sua fonte de renda e principal, afinal de contas, você não quer perder seu emprego; e 4)procure algo que não tenha ligação direta com sua área de atuação, assim, em uma crise mais sistêmica na sua área de atuação, você pode se safar com a outra atividade.

Não é fácil encontrar um emprego, quanto mais uma segunda fonte de renda. Você tem que ser criativo e estar disposto a trabalhar umas horinhas mais à noite ou nos finais de semana. Isso, no entanto, é o segredo de muita gente bem sucedida. Vale a tentativa!

Ivens Gasparotto Filho Ivens Gasparotto Filho

Planejador Financeiro

Atua há mais de 10 anos no mercado financeiro, trabalhando diretamente com investidores pessoa física e planejamento financeiro pessoal. É CFA charterholder, profissional certificado pelo CFA Institute, possui também a certificação de gestores CGA, da Anbima. Estudou Gestão de Portfólios de Ativos na London Business School, é pós-graduado em Finanças pela FGV e formado em Administração pela Universidade de Brasília.

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