O que está acontecendo com o Dólar?

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Nas últimas semanas, o Real se desvalorizou em relação ao Dólar e não foi pouco. Usando a expressão que todos dizem: o dólar subiu. Em tempos de volatilidade política e a memória recente da crise econômica na cabeça, as pessoas já entenderam que o Dólar tem muito a ver com os movimentos políticos. Mas se o Lula foi preso e a esquerda está quase morta nas eleições, então por que o dólar ainda assim subiu? Fatores não políticos agora estão passando a dominar a movimentação da nossa moeda. Porém, pode ficar tranquilo que a gente explica.

O câmbio é uma variável endógena, como os economistas gostam de chamar. Em bom português isso significa que ela reflete fatores internos da economia brasileira. Assim, o preço do câmbio (a taxa de câmbio) é basicamente um indicador de como está a economia brasileira e também de como o resto do mundo (os demais países) estão se relacionando com o Brasil. Podemos encarar o câmbio como um termômetro do motor, sendo que baixas temperaturas são as ideais, ao invés das altas.

Diversos fatores fazem o preço do câmbio oscilar. Após muita discussão na literatura econômica nacional e diversos testes empíricos, descobrimos que o câmbio brasileiro responde com maior sensibilidade a três fatores: taxa de juros interna, fluxo de capitais externos – investimentos e o saldo balança comercial (diferença entre quanto importamos e exportamos), e o risco do país (aqui temos o risco político).

Retornando ao movimento das últimas semanas (que, desde janeiro, teve uma valorização de 9%), o que tem explicado o movimento cambial? Basicamente, o diferencial de juros e a movimentação de capitais externos. O risco país cresceu muito pouco para justificar o movimento recente. E os demais países pares, ou seja, aquelas economias parecidas com a brasileira, não apresentaram o mesmo nível de depreciação cambial (alguns até se valorizaram). Portanto, podemos isolar esse movimento como sendo algo intrínseco da economia brasileira.

O economista Luciano Sobral observou que nas últimas semanas o grande efeito tem vindo da diferença da taxa de juros brasileira, que está em patamares historicamente baixos, com as taxas de juros de economias desenvolvidas. Essa diferença é importante porque dita o retorno do investimento que os investidores externos vão ter no Brasil. Em 2015, que a taxa de juros americana era de 0,25% e a brasileira era de 14,25%. Ou seja, existiam mais de 10% de diferença, isto é, um investidor poderia pegar um empréstimo baratíssimo nos EUA e investir aqui com gordos lucros garantidos. Porém, agora que a taxa americana está entre 1,5%-1,75% e a brasileira em 6,5%, a diferença é de menos da metade de alguns anos atrás.

Porém, mesmo com o existente e relevante diferencial de juros, outros países parecidos com o Brasil ainda possuem juros mais altos; logo, o dinheiro deverá fluir mais pra essas nações. Além do fato de que, quando levamos em consideração o risco da eleição vindoura, pouco pode-se inferir sobre quem será o nosso próximo presidente e quais as reformas econômicas que ele irá se empenhar em fazer. Os investidores externos estão em compasso de espera com as eleições, logo não trazem o dinheiro para cá, e os que estão aqui preferem diminuir suas posições e mandar o dinheiro para fora, o que faz o Real se desvalorizar.

Além do investidor externo, o próprio investidor brasileiro tem procurado o Dólar. A ideia é se proteger de algum resultado ruim das eleições e não ser pego de calça curta, caso algum candidato que não continue com as reformas econômicas vença.

Em outras palavras: por mais que a situação política tenha sido preponderante sobre a análise econômica do Brasil nos últimos tempos, desta vez podemos observar um descasamento entre política e economia, já que a influência mais sensível desta vez é sobre o diferencial de juros e a movimentação externa de capitais. Mas o cenário político promete altas emoções a partir do segundo semestre para acrescentar mais incerteza ao cenário cambial brasileiro.

 

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