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O que esperar de 2020?

Todos anos, economistas são instados a fazer seus prognósticos para a economia brasileira, e, verdade seja dita, nos últimos 5 anos, as apostas mais otimistas tem se frustrado de forma recorrente. A despeito desse histórico, há razões concretas para uma visão mais positiva para 2020, particularmente quando contrastada à desalentadora performance da economia desde 2014.

No cenário externo, o céu não é necessariamente de brigadeiro, mas também não parece de todo contraproducente. A economia mundial deve expandir aproximadamente 3.4% in 2020, de acordo com o FMI, um pouco acima do estimado para 2019, e ligeiramente abaixo de sua média dos últimos 6 anos. Enquanto isso, ante preocupações desinflacionarias nas economias desenvolvidas, seus respectivos bancos centrais devem manter suas taxas de juros básicas em níveis extremamente baixos.  Portanto, o mix de crescimento mediano e condições financeiras extremamente favoráveis devem prevalecer no ano entrante.

Há, certamente, nuvens no céu na esfera global. Em particular, os EUA e China ainda procuram uma solução de curto-prazo para seu conflito comercial, e, mesmo que prevaleça a visão de que um acordo deve ocorrer no futuro próximo, é um risco a se monitorar. Além disso, a eleição presidencial americana, em um cenário potencialmente polarizado, também merece atenção especial. Por fim, alguns dos nossos vizinhos agora aparecem como fonte relevante de risco e outro pico de incerteza política advinda daí pode contaminar as condições financeiras no Brasil.

A despeito do pano de fundo mundial, o jogo deve ser jogado mesmo é no campo doméstico. Passadas as incertezas relativas à reforma da previdência e prevalecendo as condições financeiras extremamente benignas do mercado local, há espaço para a economia brasileira quebrar um ciclo vicioso de baixo crescimento e de alta incerteza política. Afinal, nada melhor do que um ambiente econômico mais promissor para apaziguar a disputas políticas e detonar um ciclo virtuoso para 2020 e além.

Dito isso, não há de se baixar a guardar, pois cautela não machuca ninguém e protege o bolso. Nessa toada, a dinâmica em Brasília continua a inspirar cuidados, pois o inusitado parlamentarista-presidencialista que o país experimenta é, por definição, uma experiência, e, de fato, baseada mais em atores políticos – com todas suas imperfeições – do que em instituições político-partidárias que garantam a robustez a choques de natureza pessoal.

Em suma, a prevalecer as tendências descritas anteriormente sobre riscos expostos acima, a economia brasileira é capaz de crescer em torno de 2.5% em 2020, e, mais importante, com a perspectiva de apresentar taxas similares mais além do próximo ano. Se confirmado esse prognóstico, o PIB terminará o ano que vêm ainda 2.5% abaixo do seu pico histórico, o que é certamente frustrante para toda uma geração de brasileiros, mas mais promissor para os que olham para futuro.

De fato, como para fins de investimentos vale mais a perspectiva futura do que a fotografia do momento, o caminho que se coloca à economia brasileira tem o potencial de apresentar boas oportunidade àqueles que miram os ativos locais.

João Maurício Rosal João Maurício Rosal

Economista-chefe Guide Investimentos

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