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“Saia da poupança! O Tesouro Direto rende mais do que ela e tem a mesma segurança!”. Certamente você já leu ou ouviu essa frase por aí, especialmente em tempos de Selic na mínima nominal histórica. Com esse guia pretendemos fazer com que você possa, definitivamente, romper com a inércia e enfim tomar uma atitude de mudança.

 O Tesouro Direto tem origem em 2002. Trata-se de um programa cuja ideia é democratizar o acesso a títulos públicos – que são papéis da dívida do governo. Anteriormente a esse programa apenas era possível comprar títulos inteiros da dívida pública mas, com ele, é possível comprar 1% desses títulos. Tudo isso como um investimento seguro (dado que os investimentos são devidos pelo Tesouro Nacional, um risco soberano), digital (basta ter conta em uma corretora para fazer as compras e vendas) e flexível (uma vez que você pode comprar e vender todos os dias, conforme sua necessidade).

Mas tudo isso custa caro? Pois bem: como apresentamos, o Tesouro Direto te permite comprar 1% de um título público. Na prática, isso significa que com menos de R$50,00 você pode começar a investir no Tesouro Direto. Veja os valores para alguns dos títulos encontrados no site do Tesouro Direto na tarde do dia 05/03 (um dia antes da publicação deste artigo) com cada prazo de resgate:

tipos de tesouro direto com as suas rentabilidades

Respondendo a pergunta do parágrafo anterior: se for bem ver, não custa tão caro assim, você consegue investir também.

Como funciona o Tesouro Direto?

Para poder comprar e vender títulos no Tesouro Direto basta que você tenha um CPF e uma conta em uma corretora. As operações acontecem em todos os dias úteis, das 09h30 às 18h, utilizando preços e taxas do momento presente da transação. Bastando ter os recursos mínimos para o fazer – e mostramos anteriormente que não são tão elevados – e cumprindo os outros dois requisitos aqui apresentados, você já está apto para atuar no Tesouro Direto.

Tipos de Títulos Públicos no Tesouro Direto

 A história do Tesouro Direto nos mostra que até poucos anos atrás os títulos lembravam uma sopa de letrinhas. Buscando deixar seus conceitos ainda mais diretos, os nomes foram alterados para que se tornem mais intuitivos ao investidor, contribuindo ainda mais para a democratização desse investimento. Os nomes atuais estarão aqui, mas os tradicionais estarão entre parênteses junto deles.

Dentre os tipos apresentados, há basicamente duas vertentes: os pré-fixados, para os quais há uma taxa pré-definida de rendimento dos títulos no momento da compra e você sabe exatamente quanto vai receber no vencimento, e os pós-fixados, nos quais o rendimento varia ao longo do tempo em função da inflação e da Taxa Selic, sendo que a rentabilidade definida por é equivalente apenas a variação desse índice referencial ou é relacionado a variação de um índice referencial mais uma taxa fixa (esse último caso, o título é considerado híbrido, pois contempla aspectos dos títulos pré e pós).

Além disso, há duas possibilidades de recebimento do valor investido: todo ele no momento do vencimento ou com juros pagos semestralmente e mais o valor do vencimento na data final. Lembrando que, como já dito, você pode comprar e vender esses títulos todos os dias úteis, não precisando manter até o vencimento.

Títulos prefixados

Tesouro Prefixado (LTN) – Também conhecido como Letra do Tesouro Nacional, uma vez adquirido, você já conhece sua rentabilidade anual no momento da compra; recebimento ocorre apenas no vencimento.
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais (NTN-F) – Também conhecido como Nota do Tesouro Nacional Série F, assim como o anterior, já apresenta sua rentabilidade no momento da compra, mas o diferencial é que distribui juros semestralmente; recebimento dele ocorre semestralmente e no momento do vencimento.

Títulos pós-fixados

Tesouro Selic (LFT) – A rentabilidade diária deste título (também chamado de

Letra Financeira do Tesouro) está vinculada à Taxa Selic (ou seja: o rendimento que você terá com este título é o da Selic no período que você o mantiver); recebimento ocorre apenas no vencimento.

Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais (NTN-B) – Este título (também chamado de

Nota do Tesouro Nacional série B) tem rentabilidade atrelada à inflação (IPCA) somado a uma taxa conhecida de juros no momento da aquisição do título; seu recebimento ocorre em juros semestrais e também no momento do vencimento.

Tesouro IPCA+ (NTN-B Principal) – Neste título a rentabilidade está na inflação (IPCA) somada a uma taxa conhecida no momento da aquisição, com a diferença do anterior sendo o momento do recebimento (que aqui ocorre apenas no momento do vencimento).

Qual é o melhor título para investir?

 O melhor título e qual tesouro direto é mais rentável vai depender, no fundo, de seu horizonte de investimentos e de como você categoriza sua carteira, de acordo com as informações na hora da compra. Trazendo para o bom português: se seu objetivo for formar uma reserva de emergências ou uma disponibilidade de caixa, o Tesouro Selic é boa pedida, porque possui rendimento diário na Selic e isso significa que, na briga Tesouro Direto X poupança, ganhar da poupança com segurança ainda maior que ela (lembrando que quem garante esses títulos em custódia e pagamento é o Tesouro Nacional).

Considerando que seu horizonte de investimentos é mais longo, cabe observar as perspectivas de mercado para os fatores de inflação (IPCA) e Selic.

Caso esteja mais adiante uma possibilidade de que os juros atuais se reduzam, é interessante ter títulos pré-fixados, dado que garantem seu rendimento com os juros atuais e você ganhará esse mesmo rendimento ainda que a economia toda esteja rodando em valores menores. Hoje a Selic está em 4,25% e, por mais que o cenário para novas quedas ainda esteja em aberto, talvez elas não sejam tão sensíveis. Mas olhando para um período turbulento, como o de janeiro de 2016, fica mais fácil observar: naquela época tínhamos títulos pré-fixados pagando cerca de 16% ao ano; quem comprou aqueles títulos naquele momento (havia títulos com vencimentos em 2019, 2023 e 2027) e quem ainda os têm continua a ter esse rendimento pré-fixado combinado até hoje, independente da Selic nas mínimas que vemos agora.

Porém, caso a expectativa futura seja de uma manutenção da situação econômica em termos de taxas de juros de inflação ou mesmo uma possibilidade de alta nos juros prevista para o futuro, vale estar posicionado nos títulos pós-fixados, que, conforme já apresentado, têm seu rendimento atrelado a essas outras taxas.

Importante notar aqui que há dois aspectos a serem observados: o rendimento do título e o seu valor presente. De acordo com a fórmula do Valor Presente (que é, na prática, o trazer de fluxos de caixa esperados para o tempo atual), quanto maior os juros de um título, menor seu valor presente. Ou seja: é importante notar que estes “ganhos ou perdas” estão vinculados a segurar os títulos até o vencimento, uma vez que, caso resgate o tesouro direto antes do vencimento, títulos vendidos no meio do período, podem ocasionar tanto em ganhos quanto em perdas em função de movimentos de curto prazo. Em função dessas oscilações, por exemplo, tivemos em 2019 três títulos do Tesouro Direto que superaram o Ibovespa (e olha que tudo isso ocorreu em pleno bull market na renda variável brasileira).

No fim das contas, o Tesouro Direto é uma possibilidade acessível de investimentos a longo prazo. Você pode sim adquirir e vender títulos todos os dias úteis, mas os rendimentos mais sólidos se dão ao longo do tempo.

Como investir no Tesouro Direto?

E, depois disso tudo, você deve estar se perguntando como começar a investir no Tesouro Direto. Como já apresentamos, para investir no Tesouro Direto você precisa ter um CPF e uma conta em corretora. O investimento mínimo é referente a 1% do valor dos títulos disponíveis e, nas atuais circunstâncias, isso significa que com mais de R$30,00 você já está apto para começar a investir.

O rendimento do Tesouro Direto depende do título ser pré ou pós-fixado, mas, ainda que o indexador possa variar, a rentabilidade desta categoria é apresentada logo no momento da aquisição. Por exemplo: o Tesouro Selic é o Tesouro indexado à taxa Selic que rende a taxa do período que você ficar com ele, o Tesouro IPCA+ rende uma taxa acertada neste dia mais a variação da inflação no período e o Tesouro Prefixado rende aquela taxa combinada anualmente. O único título que você tem certeza total do rendimento é o pré-fixado, pois os pós-fixados estarão atrelados ao IPCA ou a Selic, que variam ao longo do tempo. E, também como já dito: você observará o rendimento do título pré-fixado se ficar com o título até o vencimento, caso contrário, estará sujeito a oscilações do mercado caso opte por vendê-lo ao longo do tempo.

O resgate no Tesouro Direto ocorre por solicitação direta a sua corretora e o horário em que as transações ocorrem está entre 09h30 e 18h dos dias úteis, ou seja, o Tesouro Direto tem liquidez diária.

Quais os riscos do Tesouro Direto?

São basicamente três.

O de menor possibilidade é o Tesouro Nacional decidir não honrar a dívida pública. A possibilidade disso ocorrer é baixíssima, dado que esses títulos dão “lastro” a diversos outros do sistema bancário (como o próprio CDB dos bancos).

O de possibilidade um pouco maior é o de uma mudança na política econômica que altere radicalmente a situação da inflação e da Selic. Com isso, poderão haver mudanças sensíveis caso o título não seja pré-fixado. Um exemplo: se a inflação apontar para cima e demandar que a Selic suba, uma alta dos atuais 4,25% para 10% reduziria consideravelmente o valor presente dos títulos pré-fixados.

O que está sempre presente é o de oscilação dos preços diários. Como já apresentamos, a rentabilidade, seja ela pré ou pós-fixada, refere-se ao que o título irá entregar até seu vencimento. Porém, no meio do caminho compras e vendas são realizadas todos os dias e, nessas transações, os valores e as taxas do tesouro direto variam. Com isso, você pode acabar tendo um rendimento bem acima ou bem abaixo do “combinado” no momento da aquisição, em virtude dessas transações que ocorrem diariamente.

Quais as vantagens de investir no Tesouro Direto?

 Praticidade, facilidade, rendimentos diários (ao contrário do “apenas no aniversário” que a poupança oferece) e, principalmente, o Tesouro Direto é seguro.

Como declarar o Tesouro Direto no Imposto de Renda?

 Os títulos do Tesouro Direto devem aparecer em dois locais na sua declaração de imposto de renda. Primeiramente, deve ser declarada na parte de Bens e Direitos, contendo o saldo da aplicação em 31/12/2019. Se você tiver saldo em duas corretoras diferentes, os valores devem ser declarados em linhas separadas.

Se tiver havido algum pagamento de juros ou mesmo do principal dos títulos, os valores ganhos devem ser declarados na parte Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva. É importante salientar que no informe de rendimentos que você recebe da sua corretora / banco esses valores já estão destacados no documento. Assim, é só copiar e colar os valores no Software da Receita.

 Simule um investimento no Tesouro Direto

 Hoje em dia há diversos sites que simulam o quanto você ganharia ao investir determinada quantia em algum título do tesouro por determinado período. Como sugestão, deixamos aos leitores o ótimo simulador de investimentos do próprio site do Tesouro Federal, disponível aqui.

Com todas essas informações em mãos, esperamos que você se sinta mais confortável para investir no Tesouro Direto!

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