O que é inflação e como ela impacta na sua vida?

tags Intermediário

Quem viveu as décadas de 80 e início da década de 90 sabe bem o que significa inflação. Pior ainda, hiperinflação. As gerações mais jovens, com o advento do Plano Real, vivem uma situação bem mais calma. Claro, tivemos alguns períodos em que a inflação ameaçou voltar com a sua face mais agressiva, mas, felizmente, não voltamos àquele cenário de décadas passadas.

Mas o que é inflação?

Inflação é o aumento generalizado e contínuo do nível geral de preços de uma economia. Sua consequência é a perda do poder aquisitivo da população. Isto é, seu dinheiro hoje compra menos produtos ou serviços que comprava no passado e, caso o processo inflacionário continue, comprará ainda menos produtos ou serviços no futuro.

Os principais indicadores de inflação no Brasil são o IPCA, medido pelo IBGE, e o IGP-M, medido pela Fundação Getúlio Vargas. Cada Índice possui sua metodologia específica. Enquanto o IPCA foca mais no consumo das famílias, o IGP-M dá um peso maior para preços no atacado. 60% do índice vem do IPA, seguido por 30% advindo de uma cesta de consumo das famílias, medida pelo IPA, e 10% da inflação na construção civil, medida pelo INCC.

A grande vilã?

Uma inflação relativamente baixa é esperada em uma economia saudável e em crescimento. O número cabalístico dos economistas é de 2% ao ano. Claro que não se trata de uma regra, mas serve para ilustrar que a inflação não é de todo ruim.

A inflação em níveis “moderados”, como a que vemos no Brasil nas últimas décadas, é perigosa. Ela não é devastadora como a hiperinflação, aquela que se apresenta na Venezuela, por exemplo, e gera consequências drásticas como o desabastecimento dos mercados, por exemplo, e o total empobrecimento da população. A inflação que temos atualmente no Brasil é perigosa, pois ela parece não machucar. As coisas aumentam, mas não aumentam tanto a ponto de chamar a atenção do dia para a noite, mas passados alguns meses ou poucos anos tudo parece muito mais caro e, realmente, está.

Para se ter uma ideia, a inflação acumulada, medida pelo IPCA, de 2008 até hoje é de 85%. Ou seja, em uma década de inflação “controlada” seu dinheiro vale quase a metade do que valia no passado.

Além disso, o fantasma da hiperinflação está sempre à espreita. Um pequeno descuido e a coisa pode degringolar. Um pequeno desajuste final, choque de preços no exterior ou uma alteração brusca no câmbio, podem fazer nossa inflação atingir os dois dígitos rapidamente. E aí o cenário de inflação que quase não se sente pode ser uma doce lembrança passada.

Outra inimiga pouco falada, até por estar muito longe de nossa realidade é a deflação. Deflação é a queda do nível de preço geral de uma economia. Tudo fica mais barato com passar do tempo. Isso pode ser ruim sim! Com a deflação podemos ter um grande desaquecimento da economia, difícil de se sair, pois você gera um incentivo para as pessoas não consumirem hoje para consumirem amanhã, já que tudo estará mais barato.

Enfim, inflação alta é ruim para todas as classes, não tenha dúvidas, porém ela é ainda mais cruel para os mais pobres. Imagine o impacto que o aumento dos produtos da cesta básica ou do transporte, por exemplo, tem na vida de quem pouco ou nada pode cortar de seu orçamento. O controle da inflação deveria ser tema central em ano eleitoral em um país como o nosso. Deveria…

Como se proteger da inflação?

Existem títulos de renda fixa que são corrigidos pela inflação como os títulos Tesouro IPCA+ e Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais, disponíveis no Tesouro Direto e diversas debêntures, estes últimos emitidos por empresas e não pelo governo. Algumas destas debêntures são isentas de imposto de renda. São as famosas Debêntures Incentivadas.

Além da correção pela inflação, tanto as debêntures quanto os títulos públicos citados anteriormente, possuem ainda uma parcela fixa de juros, ou seja, o investidor que leva estes títulos até o vencimento pode ter um ganho real significativo. Vale lembrar, entretanto, que estes títulos possuem marcação de preços a mercado, então, em caso de venda antecipada, o retorno pode não ser igual à taxa contratada.

Além destes títulos atrelados diretamente a índices de inflação, há formas menos diretas de se proteger, como por meio de fundos imobiliários e ações. Historicamente, tanto imóveis como ações tendem a render mais que a inflação no longo prazo. Como disse, esta relação não é tão direta no curto prazo e é mais adequada para investidores com horizonte de tempo longo e perfil para ativos com mais risco.

Saiba que há diversas alternativas para se proteger da inflação seja qual for seu perfil de risco e temos diversas opções para te ajudar aqui na Guide.

Ivens Gasparotto Filho Ivens Gasparotto Filho

Diretor Técnico

Atua há mais de 10 anos no mercado financeiro, trabalhando diretamente com investidores pessoa física e planejamento financeiro pessoal. É CFA charterholder, profissional certificado pelo CFA Institute, possui também a certificação de gestores CGA, da Anbima. Estudou Gestão de Portfólios de Ativos na London Business School, é pós-graduado em Finanças pela FGV e formado em Administração pela Universidade de Brasília.

215 visualizações

relacionados

Bitnami