O que deveríamos ter aprendido sobre dinheiro na escola?

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Educação financeira. Essa expressão costuma colocar medo em algumas pessoas. Pensa-se sempre ser algo distante da realidade, difícil de entender ou mesmo “coisa de quem já é rico”. Engana-se quem pensa em qualquer uma das três situações.

A educação é uma ferramenta fundamental de transformação da vida das pessoas. Isso porque ela, além de ser das únicas coisas que não se tira de uma pessoa (uma vez aprendido, o conhecimento estará sempre lá, aguardando para ser usado), muda a pessoa do status de “possivelmente vítima de uma desinformação” para “consciente de suas possibilidades”.

Educação se aprende na escola. Hoje se questiona muito sobre o que deveríamos aprender e o que estamos aprendendo de fato. Na opinião deste que vos escreve, quatro coisas seriam muito interessantes, em termos básicos: matemática, português (focando na interpretação de textos), finanças pessoais e economia. Matemática e português porque dão uma base para qualquer profissão, um início para se chegar a uma especialização maior demanda boa formação em ambas. Finanças pessoais para se deixar de cair em armadilhas do caminho quando o assunto é dinheiro. E economia para entender melhor a lei da oferta e da demanda – e cair menos em promessas políticas/governamentais que querem oferecer mudanças rápidas bagunçando este já complexo equilíbrio.

Especificamente em relação a dinheiro, seria interessante que se ensinassem a nossas crianças e jovens alguns pontos que fazem muita diferença.

O primeiro deles: saber que orçamento tem limite (e esse limite é o quanto se entra, não o quanto se tem de crédito). Há uma confusão imensa entre o real tamanho do que “se tem para utilizar”. Os bancos geralmente colocam direto no extrato nomes graciosos como “crédito especial” e, em alguns casos, abusam da desinformação colocando esse “dinheiro especialmente concedido aos amados clientes” acima do saldo (como se aquela quantia fizesse parte do que se tem de dinheiro na conta).

O segundo deles: mostrar que priorizar os gastos (tentando sempre deixá-los abaixo do que se recebe efetivamente) vale a pena. Essa responsabilidade pode começar com o famigerado “supermercado de brincadeira”, que algumas escolas têm colocado em prática e ensinado sobre a importância de direcionar corretamente o orçamento. Onde se tem essa experiência, geralmente as crianças começam gastando todo o dinheiro com guloseimas e, após um tempo, entendem que o que é fundamental (arroz, feijão, carnes…) deve vir primeiro.

Em terceiro e último, mas não menos importante: o que são os juros e como eles representam o custo do dinheiro no tempo. Geralmente os juros são tidos como “a causa raiz dos problemas financeiros”. Na realidade, eles são ou “o custo de antecipar o consumo futuro” (se você estiver pagando) ou “o parceiro ao longo dos anos rumo a liberdade financeira” (caso você esteja recebendo seus frutos).

Possivelmente especialistas em finanças pessoais têm muitas outras sugestões. Mas, a nível do que em termos mais básicos poderia se aprender – e mudar de verdade a vida das pessoas -, estes três pontos são primordiais.

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