O país velho que pode se tornar um jovem quebrado: Brasil

tags Iniciante

O Brasil caminha rapidamente para se tornar um país velho. Uma pesquisa do IBGE que saiu na semana passada, mostra que vamos ser um país maduro, com menos jovens, mais velhos e ainda menos bebês. Demograficamente estamos perto da maior idade. Mas caso grandes reformas não sejam feitas, o Brasil corre o sério risco de ser um país velho com a condição de vida de um jovem quebrado.

Em 2060, que parece longínquo, mas está a menos de 50 anos de distância, seremos um país onde 1 em cada 4 brasileiros terá mais de 65 anos. Além do fato de que a cada 100 brasileiros, 67,2 não estarão em idade de trabalhar, pois terão mais de 65 anos ou menos de 15 anos. Além do fato, que a taxa de fertilidade média será de 1,66 filho por mulher, ou seja, insuficiente para repor a população (a taxa de reposição mínima é de 2). E em 2060 a população brasileira começará a encolher.

A pesquisa é muito importante, afinal de contas, a demografia de um país é um fator muitíssimo importante para o crescimento econômico. Se existem muitas pessoas jovens, em idade de trabalho, a economia se aproveita dessa força de trabalho abundante, que é barata, para crescer em setores que precisam de muitos trabalhadores. É fácil mover a economia com muito trabalho a um custo barato. Basta olhar para a China de 10 anos atrás, quando milhões de jovens migraram das zonas rurais para as cidades industriais.

Conforme o país vai perdendo seus trabalhadores, uma vez que eles vão envelhecendo e se aposentando, e como bem sabemos, melhores condições econômicas também trazem reduções na taxa de fertilidade, isto resulta na diminuição da força de trabalho dessa nação.

Para que essa economia, possa manter seu padrão de vida, obrigatoriamente ela precisará fazer mais com menos.

Fazer mais com menos, é na linguagem dos economistas: ser mais produtivo. Basicamente, tudo que é produzido em uma economia é função de capital (máquinas, terras, galpões e etc…) e trabalho (a famosa mão de obra). Logo se você reduz o trabalho, você precisa aumentar o capital para que continue produzindo a mesma quantidade, ou você pode fazer que o mesmo capital, porém, com menos trabalhadores a produção continue a mesma, graças a um aumento da produtividade dos trabalhadores.

Exemplificando: um homem do campo hoje, produz muito mais que a geração anterior a ele, primeiro que o acesso à informação melhorou muito. Hoje um simples fazendeiro, consegue acessar na internet valiosas informações de como fazer melhor o manejo de sua plantação, por exemplo. Também, pelo lado do capital, ele pode usar máquinas melhores e que economizem tempo de trabalho que pode ser gasto com outras atividades mais importantes.

Aqui mora o primeiro problema que a pesquisa do IBGE deixa latente. O Brasil está ficando velho, mas não está mais produtivo, aliás, a produtividade tem caído paulatinamente desde da década de 80. E a classe política parece fazer pouco caso com medidas que visam melhorar a produtividade, como uma reforma profunda do sistema educacional, melhora da estrutura tributária e melhora do ambiente regulatório para maiores investimentos em infraestrutura.

A segunda luz vermelha, é o fato de que o país terá 25% da sua população aposentada em 2060. Como a base do sistema previdenciário brasileiro é praticamente toda pública, logo uma profunda reforma da previdência se torna extremamente necessária. Outra grande questão a qual a classe política se esquiva de resolver.

Apenas para ilustrar, hoje, sem a reforma da previdência e com o teto de gastos em vigência, em 2026, o governo já irá ter que gastar 80% de seu orçamento primário com aposentadorias. Em 2060, o número superaria, facilmente, os 100%, assumindo o teto de gastos em vigência e nenhuma reforma. Logo o Estado brasileiro caminha, já no curto prazo, a comprometer seriamente seus recursos aos idosos.

Obviamente, uma população mais velha e menos fértil é uma boa notícia, indica que o país tem conseguido entregar uma condição de vida melhor para todos. Porém, essa população futura, a qual inclui eu e você, pode viver um verdadeiro inferno econômico e social, caso o país não comece a mudar o rumo de suas políticas, hoje.

O Brasil corre o sério risco de quebrar quando ficar velho. Não estamos fazendo a poupança correta (leia-se medidas) para garantir a aposentadoria de um país velho em um futuro não tão distante assim.

Victor Cândido Victor Cândido

Economista

Mestrando em economia pela Universidade de Brasília - UnB. Já trabalhou no mercado financeiro na área de pesquisa e operações. Foi pesquisador do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. É formado em economia pela Universidade Federal de Viçosa.

834 visualizações

relacionados

Bitnami