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O Fundo Amazônia é uma iniciativa internacional, administrada pelo Brasil, que visa coibir o desmatamento na maior floresta tropical do mundo. Os recursos são administrados pelo Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) e conta com contribuições financeiras de vários países interessados em preservar a floresta. A relevância para o mundo como um todo é devido à sua escala continental, o seu impacto sobre o clima do planeta e a sua imensa biodiversidade. O que acontece na Amazônia impacta toda a humanidade.

Dentro do território brasileiro, se encontra 60% da floresta. Historicamente, esse fato tem gerado atrito entre o Brasil e a comunidade internacional. Os países mais desenvolvidos, principalmente os do continente europeu, sempre demonstraram interesse na manutenção da cobertura verde, mas o Brasil enxerga as críticas estrangeiras relacionadas à preservação do “pulmão do mundo” como uma afronta à sua soberania territorial.

O fundo foi desenvolvido para servir como mecanismo que possibilita que o mundo contribua para inciativas ambientais sem comprometer o domínio do estado brasileiro sobre seu território. Claro, o apoio financeiro está na dependência da atuação do Brasil em prol da preservação da mata, o que força o país a equilibrar a necessidade de desenvolver a região para o benefício da sua população humana contra necessidade de atuar em prol da natureza.

Desmatamento

O desmatamento da floresta tem diminuído desde o ano 2000, mas continua a se expandir ano após ano. Em 2018, a destruição da Amazônia começou a acelerar novamente. O governo Bolsonaro recebeu críticas relacionadas a sua custódia ambiental da floresta quase que imediatamente após a tomar o poder. Um grande debate sobre a proporção do crescimento do desflorestamento começou e acabou custando o emprego do presidente do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Ricardo Galvão, após o mesmo divulgar dados de satélite sobre desmatamento que o governo enxergou como imprecisos e exagerados.

Além disso, nenhum dos 57 projetos ambientais apresentados ao fundo este ano foram aprovados. O ministro do meio ambiente, Ricardo Salles, informou que a atuação do governo está suspensa enquanto o mesmo discute a reestruturação e o impacto do financiamento sobre a região.

Recursos

Os principais financiadores do fundo ambiental se frustraram com a administração dos recursos pelo governo Brasileiro.  A Noruega, a nação que mais contribui ao fundo, já tendo doado mais de US$ 1,2 bilhões para preservação florestal nos últimos dez anos, suspendeu suas contribuições. O ministro do meio ambiente do pais nórdico, Ola Elvestuen, declarou que o Brasil “Tem demonstrado que não está mais comprometido com combate ao desflorestamento”.

A decisão não agradou o presidente Jair Bolsonaro, que rebateu o congelamento e as declarações criticando a pratica nórdica de caça às baleias e sugerindo que outros contribuintes reflorestem o seu território nacional. Agora, o fundo está sob ameaça de ser extinto. Além de congelar seus ativos, o maior doador ao fundo quer ser ressarcido por US$ 380 mil doados ao Brasil durante gestão do governo Bolsonaro.

A notícia chega em momento importuno: 52,5% dos focos de queimadas de 2019 ocorrem na floresta tropical. Os fogos entraram em evidência após uma nuvem escura gerar uma espécie de eclipse de poluição na cidade de São Paulo, que escureceu os céus da megalópole, transformando o dia em noite às três da tarde.

Até o momento, o governo não aparenta mudar o seu curso. Os interesses do agronegócio e de outras atividades econômicas ainda superam a vontade de combater o desmatamento. Enquanto isso, a hashtag #PrayforAmazonia ganha aderência nas redes sociais. O futuro da Amazônia, seu impacto positivo sobre aquecimento global e a sua diversidade estão em perigo e o Brasil arrisca perder o apoio financeiro mais que necessário da comunidade internacional.

Conrado Magalhães Conrado Magalhães

Analista Político

Formado em ciências políticas pela universidade Marymount Manhattan College (NY-EUA), com pós-graduação em administração pelo Insper. Possui cinco anos de experiência no ramo de consultoria política como analista da Arko Advice e agora é o analista político da Guide Investimentos.

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