O enorme esforço de se escolher ações e uma filosofia vencedora no mercado

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 Com certeza você já ouviu na tv, algum jornalista dizendo que as ações das empresas x e y tiveram uma valorização excelente no último mês. Muito provavelmente você deve ter pensado,“hmmm, eu deveria comprar algumas ações”.

Aí você começa a pensar sobre o assunto e logo percebe a complexidade dele, várias perguntamos pipocam na mente: qual ação comprar, quando comprar e qual o potencial de valorização desta ação? Várias indagações importantes.

No mundo das finanças, podemos dizer que existem basicamente duas abordagens para se escolher uma ação, são elas a escola fundamentalista e a grafista.

O profissional adepto do grafismo gasta bem menos tempo para escolher uma ação, na verdade ele não está interessado na empresa e sim em busca de padrões estatísticos no histórico de preços.

Boa parte do grafismo está baseado no curto prazo, o que não ajuda muito quem quer construir com consistência um patrimônio, pois isso só acontece quando miramos no longo prazo.

Já a escola fundamentalista está basicamente preocupado em analisar a fundo a empresa e como o desempenho dela afeta o preço da ação, e por consequência os impactos disso no ganho potencial do investidor.

O bom analista fundamentalista fará perguntas do tipo: como tem sido o histórico de resultados? Qual é a qualidade da diretoria? Os acionistas controladores são comprometidos com a empresa?

Todas essas perguntas tomam imenso tempo para serem respondidas da melhor forma possível, e são apenas uma parte das perguntas que o analista deve fazer.

Além de fatores intrínsecos da empresa, é preciso entender como o ambiente da economia, câmbio, inflação e juros acabam por afetar o desempenho do negócio.

Analisar e processar toda essa quantidade de informação, demora centenas de horas. Além do estudo inicial da empresa, quando o analista está pensando em sua tese de investimento, ele também precisa acompanhar a empresa. Ficar de olho em cada divulgação de resultado, de forma a ir incorporando novas informações a sua análise.

Acho que nessa altura você já percebeu que escolher uma ação, apenas uma, demanda muito tempo. Imagina escolher uma boa carteira de ações composta por mais de 10 empresas, estamos falando de milhares de horas, acumuladas, de análises.

Existem algumas filosofias de investimento, dentro da escola fundamentalista, que ajudam os investidores a navegarem melhor essa miscelânia informacional, como o Value Investing.

Existem vários representantes Warren Buffett, Benjamin Graham, David Dodd, Mario Gabelli, Bill Ruane, Seth Klarman, Walter Schloss e Philip Fisher. Todos gestores que comandam casas bilionárias.

O value investor sempre tem como objetivo preservar o capital investido, a empresa analisada deve possuir um valor intrínseco (o valor justo do negócio) bem superior ao preço negociado no mercado. Esta diferença chamamos de margem de segurança. Quanto maior a margem de segurança, mais sólido é o caso de investimento, ou seja: Value Investing é receber mais valor pelo capital investido.

O value investing tem como objetivo comprar ações de boas empresas, a preços justos e ainda operando de forma a proteger o capital do investidor. Importante notar que a filosofia faz ainda mais sentido no longo prazo. Excelente para quem tem uma estratégia voltada para a acumulação de capital no longo prazo.

Agora a pergunta que você deve se fazer, caso esteja querendo investir em ações:

Você vai ter tempo e para se dedicar à essa nova atividade? Tem conhecimento sobre este tipo de ativo? Qual será sua estratégia de investimento?

A estratégia mais fácil é escolher um bom fundo de ações, pois o fundo é gerido por profissionais, que pensam e trabalham com isso em período integral.

Agora pense na sua profissão e imagine se um leigo poderia fazer o seu trabalho tão bem quanto você.

Victor Candido Victor Candido

Economista

Mestrando em economia pela Universidade de Brasília - UnB. Já trabalhou no mercado financeiro na área de pesquisa e operações. Foi pesquisador do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. É formado em economia pela Universidade Federal de Viçosa.

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