O Destino de duas nações, as atemporais lições Churchellianas

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 300.000 homens prestes a serem mortos, encurralados por todos os lados pelo exército nazista. A única saída é uma pequena faixa de praia que está sendo constantemente bombardeada por aviões alemães.

O destino das 3 centenas de milhares de homens é a morte certa. Porém um primeiro Ministro determinado coloca um ousado plano em ação e usando pequenos barcos civis, pois não tinham docas o suficiente para os grandes navios que também eram alvos fáceis para os bombardeiros, salva a grande maioria dos homens, um plano desacreditado pela alta patente das forças armadas, uma ousadia bancada por Winston Churchill, naquele momento recém empossado Primeiro Ministro da terra de vossa majestade.

A operação Dynamo, como foi chamado o esforço de resgate, foi a primeira vitória de Churchill e da Inglaterra na segunda grande guerra.

A história real da retirada da praia de Dunkirk é uma das muitas histórias retratadas em o Destino de uma Nação, filme que já colecionada as mais diversas indicações ao oscar, que retrata a ascensão de Churchill ao poder, em meio ao caos do começo da guerra. O ator Gary Oldman, grande favorito ao oscar de melhor atuação por este papel, da vida com perfeição ao corpulento e falante primeiro ministro.

A grande lição de um destino de uma nação é o fato de que um país onde sua classe política dominante (o partido conservador) via uma derrota eminente perante os nazistas, enquanto o povo enxergava algo diametralmente oposto a derrota.

Enquanto alguns políticos se acovardaram e desejavam um acordo de paz com Hitler, o povo queria a total rendição do inimigo, que naquele momento (1940) parecia ser infinitamente mais poderoso que a terra da Rainha.

O filme, cronologicamente não vai tão longe, toda a história passa praticamente no primeiro ano de 1940, não chega a 1945, onde a Alemanha se rende incondicionalmente e o poderoso Hitler se suicida covardemente em seu bunker em Berlim. A guerra sem solução em 40, acabou 5 anos depois, de forma triunfal.

A vitória só foi possível graças ao estilo mercurial de Churchill que não se deixou levar pelas pressões de seu antecessor, Neville Chamberlain (líder do poderoso partido conservador britânico) para que a Inglaterra assinasse-se um acordo de paz com os alemães, algo que naquela conjuntura seria muito mais uma rendição disfarçada do que uma trégua.

A decisão de retirar bravamente os homens em Dunkirk, além de não aceitar nada mais que a rendição alemã, aconteceram em meio ao medo de serem esmagados a qualquer momento pelos alemães, sem praticamente qualquer apoio do todo poderoso Estados Unidos, que naquele momento preferia ficar completamente neutro e alheio com os belicosos acontecimentos que se passavam do outro lado do atlântico. Como todos sabemos, em 1941 os americanos seriam tragados pela guerra.

Apesar de existir um oceano e quase 80 anos de distância entre o Brasil de hoje e Inglaterra do começo da segunda guerra, há uma grande lição a ser tirada pela classe política brasileira e por nós, o povo brasileiro.

O País vive um momento de puro descrédito com tudo, o povo possui ZERO confiança na classe política. A economia do país ainda está muito frágil,a segurança em um estado de guerra civil onde o exército tem que tomar as ruas da segunda maior cidade do país.

Enquanto a classe política que mais parece uma casta desconectada dos reais problemas do país, que em última instância toparia apenas um acordo de paz para que a situação não piore, mas nunca, jamais lutariam pela vitória incondicional sobre as mazelas que tanto afligem o país.

O Brasil não precisa de um Churchill, afinal de contas sempre que aparecem personificações do espírito de mudança, a coisa acaba mal aqui na terra brasilis.

Mas precisamos do espírito do Churchelliano, de encarar um país e perceber que existe muito mais além da conformidade de que tudo parece perdido e assim tocamos adiante com a barriga, quando na verdade existe a possibilidade de vitória, incondicional sobre todos os inimigos da nação.

Como bem mostra o filme, o destino de uma nação é um subproduto do espírito e da visão que governantes e povo possuem para seu país, algo que o Brasil parece não ter. 

Victor Candido Victor Candido

Economista

Mestrando em economia pela Universidade de Brasília - UnB. Já trabalhou no mercado financeiro na área de pesquisa e operações. Foi pesquisador do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. É formado em economia pela Universidade Federal de Viçosa.

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