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O Bull Market da indústria de Celulose – Parte I (06/03)

A Lei do Esforço Reverso

O setor de Papel & Celulose vive um momento bastante favorável, especialmente em termos da oferta e demanda. A China, principal consumidora da commodity, tem impulsionado, e acelerado, as suas compras para suprir uma demanda “desabastecida”. Afinal, fábricas foram fechadas após o aumento do rigor das leis ambientais no país. O estoque de celulose permanece em níveis equilibrados – sinal de demanda ainda aquecida e disponibilidade mais “racional” da commodity. Neste contexto, os preços da celulose têm continuado a subir.

Gráfico – estoque de celulose na China

Fonte: Bloomberg.

Por se tratar de uma commodity, o preço da celulose é cíclico, vale ressaltar. O crescimento de demanda é relativamente consistente, próximo de 1,1% a/a até 2030, segundo os dados da Poyry, consultoria especializada no setor. Os principais players da indústria focaram as suas estratégias, até pouco tempo, em aumentar a capacidade de produção. Desta forma, nos últimos anos, observamos grandes projetos de expansão de capacidade da indústria e de um crescimento mais gradual do consumo do produto. Este processo se refletiu nos mercados, e vimos oscilações fortes dos preços da celulose – algo que também se refletiu nos resultados trimestrais das principais produtoras do setor.

Gráfico – preço da celulose

Fonte: Bloomberg.

Esta dinâmica tem se alterado nos 2 últimos anos. Não há, por ora, nenhum projeto (aprovado ou em execução) das principais produtoras de celulose de aumento na capacidade. O último realizado na indústria foi o Projeto Horizonte II, realizado pela Fibria, que teve início de produção em 2017. Mesmo que alguns players anunciem um novo projeto nos próximos meses, estima-se que estes demorarão cerca de 3 anos para os volumes começarem a atender o mercado. Isto é algo que nos dá confiança em acreditar que os preços, e retornos das empresas do setor, continuarão atraentes no próximo biênio 2018-2019.

E para 2018?

Temos comentado que o ano de 2018 começou “a todo vapor”. As principais produtoras de celulose seguem mais disciplinadas com relação à oferta de volumes da commodity no mercado internacional. Para 2018, a expectativa é de uma oferta de 2,930 milhões de toneladas de celulose e uma demanda de 2,950 milhões de toneladas. Ou seja: devemos observar um ligeiro descasamento entre oferta e demanda de celulose e, com isso, os preços devem continuar a avançar.

Gráfico – oferta da celulose (link – página 16)

Fonte: Fibria; Elaboração: Guide Investimentos.

Neste início de ano, a Suzano e a Fibria já anunciaram novos reajustes de preços (de US$20-30/ton). A indústria de Papel & Celulose deve se manter aquecida ao longo do ano, com a demanda impulsionada pelo: (I) consumo de tissue; (II) questões ambientais na China; (III) melhores condições econômicas na zona do Europa; além (IV) da recuperação da atividade econômica local.

Mais: as indústrias do setor têm dado foco para produtos de maior valor agregado, a fim de obter, com isto, um melhor mix de vendas e expansão de suas margens. Assim, nossa expectativa se mantêm positiva para os players locais, que devem continuar a reportar números fortes e melhora de margens. As receitas continuarão sendo impactadas, positivamente, por maiores volumes vendidos e preços mais altos da commodity, em nossa opinião. Em suma: o quadro é, ainda, promissor para os players desta indústria neste ano.

Atenção: em breve, escreveremos um texto abordando os possíveis cenários da consolidação da indústria de Papel & Celulose que, em nossa opinião, deve ocorrer à frente.

 

Rafael Gad Passos Rafael Gad Passos

Equipe Econômica

Graduado em Administração de Empresas na ESPM. Possui certificação de Mercado de Ações (BMF&Bovespa). Possui experiência na área de análise do Banco Bradesco Investimentos e atualmente faz parte da equipe de Research da Guide Investimentos, com foco nas empresas do Ibovespa.

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