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Mudei de cidade para estudar/ trabalhar. E agora? Como organizar os gastos?

Quando nos mudamos, temos sempre sensações opostas ocorrendo ao mesmo tempo: medo do desconhecido e ânimo por viver algo novo. Pelo menos foi isso que senti quando vim para São Paulo, em 2017, para trabalhar aqui na Guide. Viemos eu, minha esposa e minha filha, que na época tinha apenas seis meses de idade. Uma mudança e tanto.

Os desafios são diversos: escolher onde morar, morar perto do trabalho ou perto da escola, seja ela dos filhos ou a que você frequentará, perto do metrô ou usará carro. Tudo impactará sua percepção da nova cidade, sua qualidade de vida, porém, para cada decisão em prol qualidade de vida, provavelmente, maior será o custo para colocar isto em prática.

Outro custo, muitas vezes esquecido, é o custo da mudança em si. Se você é universitário, provavelmente levará apenas suas roupas para a nova cidade. Seu custo será o custo da passagem aérea ou terrestre e, talvez, alguma taxa de excesso de bagagem.  Veja isso com antecedência, passagens de última hora podem ter um custo proibitivo.

Se você vai se mudar com sua família, provavelmente levará moveis e, quem sabe, até seu carro. Vale a pena pesquisar bastante a empresa que fará sua mudança e também os diferentes tipos de opções existentes: você pode fechar um caminhão e programar a data de sua mudança (mais caro) ou, então, utilizar um caminhão compartilhado (opção mais barata, mas sem certeza da data de chegada).

No meu caso, fazendo as contas de quanto gastaria se viesse dirigindo meu caro, entre gasolina e pedágios entre Brasília e São Paulo, foi melhor fechar um caminhão e colocar o carro dentro. A diferença seria tão pequena que, no fim das contas, evitar mil quilômetros das perigosas estradas brasileiras me pareceu melhor.

Em geral, minha mudança foi financeiramente tranquila porque me planejei. Listo aqui algumas coisas que eu fiz e que você também pode fazer para que o fato de se mudar de cidade, seja para estudar ou para trabalhar, não signifique sua ruina financeira:

Reserva para transporte/mudança

Provisione, em investimentos líquidos e de baixo risco, o dinheiro que usará para a mudança. Compute aqui os custos das passagens, o custo do caminhão de mudança.

Engorde sua reserva de emergência

Chegar a uma nova cidade pode ser caro, pois você terá custos com sua nova moradia. Provavelmente, você comprará algumas coisas para sua casa. Talvez apenas pratos novos, alguma peça para seu banheiro, miudezas em geral. Porém, pode ser que faça parte do seu “pacote de convencimento para sua esposa mudar de cidade com um bebê de seis meses” uma casa mais espaçosa e, logo, novos móveis. Saiba bem o que você terá pela sua frente nos primeiros seis meses e se prepare financeiramente.

Reserva para o dia a dia

Antes de se mudar faça um exercício de quanto será seu custo mensal na nova cidade e compare isso com sua nova realidade financeira. Não seja conservador nos gastos, infle este valor, e seja muito conservador na ponta das receitas, jogue estas para baixo. Provisione, pelo menos, 6 vezes a diferença entre ambos, caso ela seja negativa. Caso seu parceiro vá se mudar sem emprego garantido, provisione 12 vezes a diferença.

Muitos vão pensar: “Ah! Mas todas as soluções são economizar dinheiro!”. E eu respondo: Sim!

Caso você faça todas estas contas e veja que os custos da mudança não se pagarão em um prazo razoável, talvez valha até a pena você refletir se a mudança de cidade é mesmo o melhor para você e sua família.

Uma grande mudança será, sempre, algo desafiador, se você não deixar o dinheiro ser um problema e sim uma solução, a experiência continuará desafiadora, porém motivadora e, muito provavelmente uma grande experiência de vida. E isso, sendo bem clichê, não tem preço.

Ivens Gasparotto Filho Ivens Gasparotto Filho

Planejador Financeiro

Atua há mais de 10 anos no mercado financeiro, trabalhando diretamente com investidores pessoa física e planejamento financeiro pessoal. É CFA charterholder, profissional certificado pelo CFA Institute, possui também a certificação de gestores CGA, da Anbima. Estudou Gestão de Portfólios de Ativos na London Business School, é pós-graduado em Finanças pela FGV e formado em Administração pela Universidade de Brasília.

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