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Mudança Climática: Você está preparado?

Há uma crise climática global e seu enfretamento é inevitável. Infelizmente, nem todos estão convencidos disso, mas as evidências de que há a) um aquecimento climático e que b) sua principal causa é atividade economia são muito mais fortes do que a tese de que tudo se trata de mera coincidência. Portanto, dentro das responsabilidades e transformações que essa dinâmica implicará, o melhor a fazer é planejar e agir.

Do ponto de vista puramente teórico, a solução para o problema parece relativamente simples. Uma vez que a causa maior do problema reside na abundante emissão de dióxido de carbono na atmosfera, basta instituir um imposto global sobre tal atividade para desestimulá-la e encorajar o uso de fontes alternativas de energia. Nesse mundo ideal, a transição para utilização de energias limpas seria relativamente suave, bem como os eventuais impactos sobre o mercado financeiro.

Infelizmente a realidade é mais complexa e uma rede de interesses nacionais faz com que tal solução esteja longe de ser implementada. De fato, o problema é bem conhecido por todos nós, principalmente àqueles que frequentam as reuniões de condomínio: se quase todos condôminos concordam com uma nova taxa para limpeza do prédio, mas os demais vizinhos necessários para o projeto faltarem, a coisa toda se desfaz.  Portanto, o mais provável é que as coisas piorem antes que melhorem, e quando o mundo acordar para a real situação do problema, serão necessárias medidas mais radicais e que implicarão numa transição mais abrupta e com impacto mais contundente sobre os preços dos ativos.

Mais concretamente, do ponto de vista macroeconômica, aqueles países que ficarem para trás sofrerão sérias e abruptas restrições sobre seu crescimento, com impacto significativo sobre suas taxas de juros, taxa de câmbio e mercado de ações. Quanto às empresas, àquelas que não se prepararem a contento se tornarão obsoletas e podendo simplesmente desaparecer, enquanto que àquelas líderes dentro de uma nova matriz energética, se tornarão as campeãs do mercado. Um exemplo óbvio disso é a empresa americana produtora de carros elétricos Tesla, que acaba de atingir o valor de mercado de US$100bi, enquanto as montadoras tradicionais, tal como a GM, continuam em estado de agonia.

Àqueles que ainda duvidam da onda que está por vir, é bom enfatizar que players globais de grande relevância já estão agindo. Na linha de frente está a Europa, particularmente a Alemanha, que impôs uma política agressiva de substituição de sua frota automotiva em favor da utilização da energia elétrica. Não por coincidência, sua produção industrial sofreu bastante ao longo de 2019, sugerindo uma amostra daquilo que poderá se tornar cada vez mais frequente em outras indústrias e países.

Outro exemplo é o Banco Central Europeu (ECB), que já sinalizou que poderá alterar sua política de investimento em bônus privado em prol de empresas mais afinadas ao novo cenário. A motivação para isso não seria meramente altruística, mas, dentro de sua atribuição de zelar pela a estabilidade financeira do continente, seria de atenuar os possíveis impactos da mudança ambiental sobre sua carteira de ativos. De fato, em um ambiente que quantitative easing, tal política pode levar a impactos relevantes sobre os ativos preteridos pelo banco.

Em resumo, à luz de todos esses fatos, restam poucas dúvidas que investidores também devem se adiantar à nova realidade que se desenha. De fato, montar uma carteira para nossas vidas e para a de nossos filhos é uma matéria da maior importância para o curto, médio e – principalmente – longo-prazo.  Portanto, muito além dos nossos deveres com as gerações futuras e mesmo que conselho valha tanto que se pague por ele, fica aqui a mensagem de que, caso você já não o faça, que comece então a considerar os diferentes impactos da mudança climática sobre sua carteira de investimentos.      

João Maurício Rosal João Maurício Rosal

Economista-chefe Guide Investimentos

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